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quinta-feira, 8 de março de 2012

Será o 8 de março realmente das Mulheres?



Talvez não devesse existir um dia para que lembrássemos delas. Só pra constar, uma etnia ou gênero que possui um dia especial em que comemoram a própria condição, geralmente é pra disfarçar a opressão que sofreram ao longo da história e que ainda sofrem. Nas escolas lembramos sempre de quais dias? Dia do índio, massacrados por 500 anos do passado brasileiro, que tomaram suas terras e ainda cederam de volta uma minúscula parte delas, como se fosse um puxadinho pra compensar a expulsão. Dia da Consciência Negra, pra compensar anos de tortura e escravidão desmedida, tratados como produtos apenas por não terem a mesma cor da pele, por HOMENS de pele BRANCA.


E o Dia Internacional das Mulheres? Bom, aqui tomo a liberdade de colocar algo que li hoje, escrito pelo meu irmão Bruno Baader:


"Existem duas teorias sobre a origem do dia da Mulher: A primeira fala de 130 mulheres que, durante uma greve por melhores condições de trabalho e menor jornada (que era de 16 horas), foram trancadas na fábrica e carbonizadas num incêndio criminoso. A segunda fala de uma onda de protestos na Rússia por melhores condições sociais e contra a entrada do país na 1ª Guerra Mundial que desembocaram na Revolução Russa de 1917."

Bom, nem é preciso dizer que, independente de qual seja a teoria verdadeira (ou verossimilhante), ambas apresentam uma origem a partir da luta, seja por direitos, seja contra a opressão. Nos dois casos, os responsáveis por privá-las de direitos e liberdade eram HOMENS, de pele BRANCA.

Se vê por aí alguém lembrando do dia do homem ou o dia do branco? Não? Pois é, isso acontece justamente por serem as mentalidades de machismo e racismo, desse homem branco, as que movem parte dos comportamentos sociais atuais. Essas mentalidades preconceituosas não precisam ser compensadas pela sociedade com celebração de datas, pois elas são DOMINANTES nessa mesma sociedade! O dia internacional da mulher não é pra comemorar o machismo atenuado, mas sim pra protestar contra ele. O dia se originou por motivos de luta, mas hoje tornou-se um meio de reafirmação de valores preconceituosos. As mulheres não são tratadas como produtos (tal como os negros foram por muito tempo) embelezados? As mulheres não eram (e ainda são, só que felizmente menos que antes) limitadas a algumas esferas sociais específicas (tal como os indios são atualmente)? A pergunta principal que fica é: são comportamentos que satisfazem quem, no final desse processo todo? O dia 8 de março se tornou nada mais do que uma comemoração do bem que elas fazem aos homens. E isso significa que elas seriam um meio, enquanto a satisfação dos homens seria o fim.



Se existe algo para comemorar nesse dia 8 de março, é justamente os movimentos de luta rumo à igualdade entre os sexos e gêneros, bem como a libertação dos mesmos em relação ao sistema. Mas não, vemos o oposto disso. Parabenizamos elas por serem exatamente como os homens querem, de tal forma que elas, em sua grande maioria, também acreditem que devam ser assim. Lanço uma simples questão sobre isso então: porque a calça jeans masculina é folgada, enquanto a feminina é bem justa ao corpo?


E, como se não bastasse, ainda existem homens que fazem os comentários mais machistas possíveis, tal como essa famosa frase: "Hoje é o dia da mulher, pois o resto do ano é dos homens". E quando digo homens, me refiro aos mais variados tipos, conservadores ou de esquerda. É triste ouvir, de alguém supostamente revolucionário, que as mulheres protestando sem camisa só fortalecem o machismo, pois é isso que os homens querem: ver mulher sem roupa. Bom, se for dessa forma, as mulheres deveriam usar burka até o dia em que o machismo cair, ao invés de protestarem em defesa da própria posse de seus corpos. Se nos privarmos de nossas posturas devido ao preconceito das pessoas, não só deixamos de viver, como mantemos vivo o preconceito.

Se for assim como esse cara diz, então as mulheres que queimaram sutiãs fizeram um protesto inútil (apesar de termos ele como referência até hoje no movimento feminista), já que todo homem prefere uma mulher com seios nus... Já que né, a egipcia (Egito = pais predominantemente muçulmano fundamentalista) Aliaa Magda Elmahdy (mais informações sobre ela aqui) só reforçou o machismo ao postar fotos nuas de si mesma, como forma de protesto, em seu blog... #ironia
O que se celebra todo ano, no dia 8 de março, não é a valorização da mulher, sua luta e tentativa de alcançar autonomia, mas da visão que o homem tem sobre a mulher. Uma visão que, ao contrário de libertar, limita e subordina, segrega e desmotiva. Isso, além de mostrar o quanto esse dia perdeu seu sentido original, passa longe de ser um motivo pra se dar parabéns...





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sábado, 25 de junho de 2011

Homofobia, racismo, machismo... preconceito linguístico????

Não sei se acompanharam todo o escarcéu que a mídia fez em torno do novo livro didático que o MEC lançou. Antes de tudo,quero esclarecer algumas coisas sobre a polêmica.
Primeiramente, é um livro para EJA (Ensino de Jovens e Adultos), pessoas que já falam há algum tempo com certa, digamos, fluência. Para aqueles que dizem no Jornal Nacional O NOVO LIVRO VAI ENSINAR AS CRIANÇAS A FALAREM ERRADO! (leia-se William Bonner), cuidado: não, não é para alfabetizar crianças, primeiro ponto; não, não vai ensinar ninguém a falar aquilo que já sabem falar, pois a variante popular é ALGO QUE EXISTE E VAMOS TRATÁ-LA SEM HIPOCRISIAS. Terceiro ponto: está na hora de acabar com esses preconceitos linguísticos e começar a tratar a variante popular como uma VARIANTE, e não como um ERRO. Não, não existe certo e errado na fala; toda forma de comunicação que funcione é válida (notem que não estou falando de escrita).
A fala que é considerada a culta, a "norma padrão", é aquela imposta pela elite paulista-fluminense para todo o Brasil, e tudo o que fuja de todos os "esses [S] bem colocados" e "perfeitas conjugações verbais" é estigmatizado e considerado "errado". Sim, é importante ter uma padronização ESCRITA a nível jurídico, e até para ensinar essa língua a estrangeiros, para haver certa homogeinização que, não vou negar, é necessária. Mas a língua é uma coisa viva, e ela NÃO EXISTE SEM FALANTES. Não é a língua que se impõe, são as pessoas que falam que decidem como usá-la. Se eu falo "os menino foru na fera" e vc me entendeu, onde está o erro? Nosso querido Caetano Veloso diz que queremos imitar os americanos, que não colocam plural nos artigos, mas fizemos invertido, pois não colocamos plural no substantivo!!! Ouvi ainda de certa professora unespiana que "já que soltaram esse livro, não me venham dizer que só a elite vai falar CERTO agora", agora que "está se fazendo apologia à fala popular", agora que só ricos falam como ricos. As pessoas querem parecer democráticas, mas acabam é sublinhando cada vez mais a diferença entre a fala da elite e a fala do povão, né! Não podemos negar que impor a fala da elite é outra forma de imperialismo, e que algumas pessoas defendem com unhas e garras.
Bem, voltando ao livro didático... há nele UM CAPÍTULO que trata da variante popular da língua, admitindo sua existência, sua riqueza e dando exemplos de como aparece no nosso dia a dia. PORÉM, diz que há ambientes adequados e inadequados para seu uso. NADA MAIS DEMOCRÁTICO do que, agora, afirmar uma identidade popular, que não possui somente dança própria, culinária própria, música própria: possui também uma linguagem própria, que não deve ser suprimida pela norma culta padrão que definitivamente NÃO EXISTE NA FALA. Nem paulistanos, nem gaúchos, nem cariocas falam exatamente como pede a gramática normativa. Que bom, prova que a nossa língua ainda existe, está em constante modificação, não adianta querer que toda a população fale latim arcaico, pois ainda assim ele apresentaria variantes regionais, geracionais, culturais. TODAS AS LÍNGUAS possuem variedades na fala. E pasmem: as colônias são muito mais conservadoras se tratando de linguagem do que as metrópoles.
Sim, PRECONCEITO LINGUÍSTICO EXISTE. E torno a dizer, assim como é HIPOCRISIA dizer que não existe preconceito racial, apenas social, é hipocrisia dizer que o novo livro fará apologia à fala popular. Língua é expressão, é liberdade de pensamento. Como ser libertári@ se não consigo ser livre nem no uso de minhas palavras?

quinta-feira, 16 de junho de 2011

preconceitos noss@s de cada dia: "racismo"


Como é ser uma criança negra? A que tipo de mensagem está sujeita todos os dias? Propagandas com famílias brancas, monogamicas, felizes (um casal e dois filhos...). Expressões como "ovelha negra, mercado negro, a situação tá preta, obscuro, noite, negar..." e tantas outras... Com quais conceitos "racistas" convivemos e qual o peso disso na formação de um ser (sua auto-estima, a imagem que tem de si mesm@)? O que podemos refletir sobre "os conceitos importam? Afetam as ações?" 

Fica ai o vídeo sobre o  racismo subliminar  (usando inclusive o conceito problemático de "raça"... Oo)




(as crianças escolhendo a boneca branca ou a negra, e como isto se relaciona Branco-bom-puro-paz e Negro-mau-pecado-problema...)