quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Uma coxinha com palito, pimenta e troco em bala !!!

Seja parado pela polícia uma única vez e você entenderá a “segurança” que ela garante.
O sentimento de vergonha e estar vulnerável, as mãos na cabeça, seu olhar fazendo de tudo pra desviar daquele braço do Estado, e ao mesmo tempo com o receio de não dar a entender que você tem algo “ilícito”, mesmo quando você não tiver absolutamente nada.
 
O policial te pergunta, e você responde automaticamente com um “senhor” logo após o “sim” ou “não”. Você não pode dizer muita coisa, pois desacato é algo que, na prática, não depende de uma lei, mas do humor do policial ou da afinidade que ele teve com você na hora; se ele quiser, você pode dar um tiro no pé (apesar de serem eles os armados) antes mesmo que você perceba, com qualquer coisa que disser. 
Deixo claro aqui que isso não significa que todos policiais farão isso (a maioria esmagadora vai, sejamos realistas) mas que, se eles quiserem, eles podem, sem nenhuma crise de consciência,  já que são eles ali que decidem o que é desacato e o que não é.  Pra eles, é natural que seja assim. Você tem medo de argumentar, de olhar para o rosto dele, pois qualquer coisa que você disser ou transparecer pode ser usada como uma brecha contra você.
Ele é o juiz, o advogado e o promotor naquele momento. Cabe a você apenas esperar sua inocência ou culpa.
A polícia não é segurança, mas medo fantasiado. Quem arrisca olhar para uma viatura quando ela passa, ou para um policial fazendo blitz em algum canto da cidade? Você pode ter feito nada, mas mesmo assim sente esse receio. Temos medo de que nos vejam como criminosos quando, em teoria (e talvez NEM assim!!!), deveriam nos proteger.
E o que faz a polícia ter essa vantagem? O que faz dela tão determinada e subjetiva durante suas paradas e blitz? O Estado. Mais especificamente, a legitimidade da violência que o Estado concede e tem para ele mesmo enquanto um dos princípios de existência. Ela pode nem chegar a usar da violência, mas você sabe, e ela tem certeza, que é pautada nisso. Há um cassetete, um spray de pimenta e um revólver em sua cintura, mesmo quando atender um chamado com risco nenhum de utilizar esses objetos.

 

Não se engane, a polícia é a manifestação da violência do Estado em meio a sociedade civil, e eles sabem disso. Tanto que não se sentem nem um pouco indelicados ou sem profissionalismo quando param você no meio da praça, em meio a todo mundo, apontando a arma e dizendo pra você por a mão na cabeça, ou quando você acabou de sair da universidade para comprar uma trufa na lanchonete do outro lado da avenida.

"Ah, mas não é assim também vai..." Não? Então eu delirei, porque aconteceu comigo... Duas vezes em menos de um mês e eu não tinha absolutamente nada...

"A polícia só existe pra manter você na lei
 Lei do silêncio, lei do mais fraco
Ou aceita ser um saco de pancada ou vai pro saco" (Gabriel, o Pensador)

3 comentários:

  1. Coxinha com pimenta e bala de troco... husahusuhassauh. Brincadeira à parte, eu sei como é passar por isso. Você se sente constrangido, com o braço armado do Estado que teoricamente deveria nos dar proteção, nos abordar como criminosos. Esse militarismo policial na abordagem de cidadãos deveria ser extinto urgentemente. A polícia que seja competente em prender, ou abordar, quem realmente tiver que ser, não através de achismo ou de "ir com a cara" da pessoa em consideração.

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  2. A unica coisa que eu gostaria de entender é QUEM DIABOS eles "protegem", afinal, já vi muitos policiais tomarem "pipoco" por causa de banco ou casa de "playba", mas nunca, nunca mesmo, vi um policial tomar "porrada" para defender estudante, trabalhador ou qualquer coisa do tipo! Mas afinal, de quem eles tem que defender? "Defender-nos" de alguns "vândalos" que expressam sua arte em muros(que podem até agradar o dono) ou de banqueiros que simplesmente tomam a mesma casa "pixada" deixando uma família inteira sem teto!?

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  3. “Quando alguém está em perigo, pensa em Deus e clama pela polícia. Passado o perigo, se esquece de Deus e execra a polícia”.

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