sábado, 15 de setembro de 2012

Veganismo - A grande farsa

         Há algum tempo, com o objetivo de fugir do consumo absurdo de produtos industrializados e ou repletos de agrotóxicos, comecei a ler sobre o culivo de hortívares, dando prioridade à leitura de textos sobre horta caseira, em pequeno espaço e ou horta orgânica. E foi com a leitura destes textos, mais especificamente de um livro, corroborado por centenas de artigos da internet, que eu descobri que parar de consumir carne e parar de consumir derivados por ser contra a EXPLORAÇÃO ANIMAL é uma grande farsa. Na verdade, é uma coisa que se enquadra mais no ditado: o que os olhos não veêm o coração não sente.
 
A primeira questão:
 
Qual será o adubo orgânico mais recomendado, mais difundido e mais utilizado entre os produtores que resolvem fugir dos produtos químicos para buscar a produção de alimentos naturais?
 
Esterco de curral (e o de melhor qualidade é claro que é o de gado de confinamento hahahaha)
 
Questão dois.
 
Ainda quando tratamos da adubagem, será que só a compostagem, a calagem e o esterco de curral são necessários para enriquecer o solo, ou existe mais algum adubo natural, orgânico muito utilizado entre os produtores de hortívares orgânicos?
 
Farinha de ossos (preciso dizer que não são ossos humanos?)
 
Questão três.
 
Chega de falar de adubo!!! Vamos falar de combate as pragas! Apesar de alguns blogs dizerem que  é bom borrifar água nas plantas para evitar pragas, todo produtor sabe que se as folhas ficam muito tempo úmidas a chance de propagação de fungos é maior, então, para o combate de alternativo de insetos e fungos, principalmente contra uma doença chamada míldio, qual forma alternativa podemos utilizar?
 
Borrife leite de vaca na proporção de 10% (1 litro de leite a cada 10 litros de água)
 
Bom... Parece que quando eu decidi parar de comer carne para combater a exploração animal, eu só substitui a forma de exploração.
 
Fonte:
Penteado, Silvio Roberto, Horta Doméstica e Comunitária Sem Veneno, edição do autor

sábado, 8 de setembro de 2012

Compra de voto em escola pública de Indaiatuba


MP acusa prefeito de Indaiatuba de compra de voto em escola pública

Geladeira e um micro-ondas teriam sido doados em troca de apoio político.
Diretoria de Ensino instaurou apuração interna sobre as acusações.

Lana Torres e Leandro FilippiDo G1 Campinas e Região

Geladeira e micro-ondas apreendidas em Indaiatuba, SP (Foto: Divulgação / 211a Zona Eleitoral )Geladeira e micro-ondas apreendidos no 
cartório (Foto: Divulgação / 211a Zona Eleitoral )
O Ministério Público (MP) de Indaiatuba elaborou uma representação na qual acusa o atual prefeito, Reinaldo Nogueira (PMDB), e um candidato a vereador de comprarem votos de professores dentro de uma escola da rede pública estadual. Segundo o promotor Christiano José Poltronieri de Campos, autor da denúncia, foram apreendidos no colégio uma geladeira e um micro-ondas, que teriam sido doados pelo candidato Massao Kanesaki (DEM) aos docentes em troca de apoio nas eleições.
Campos conta que a representação é resultado de uma denúncia anônima. Segundo ele, um assessor do irmão do prefeito Reinaldo, o deputado estadual Rogério Nogueira (PDT), participou de uma reunião com funcionários na Escola Estadual Jardim Morada do Sol para fazer campanha para o peemedebista. “Uma semana depois, Massao fez uma doação de uma geladeira e um micro-ondas para os professores”, disse o promotor. O partido de Kanesaki integra a coligação que apoia a reeleição do prefeito.
 
Para sustentar a denúncia, Campos solicitou a busca e apreensão dos objetos, que foram recolhidos de dentro das dependências da escola. Na ocaisão da apreensão, segundo o MPE, uma funcionária confirmou a doação do material pelo candidato à vereança. Além disso, o promotor expediu mandado de constatação e oficiais de Justiça confirmaram a realização de uma festa, em 30 de agosto, que teria sido financiada pelos candidatos e para a qual foram convidados professores da mesma escola. No evento, no clube da sociedade nipônica, os oficiais filmaram os dois candidatos (o prefeito e Massao) fazendo discurso de campanha, além de distribuir comida e bebida gratuitamente aos eleitores.

A promotoria eleitoral pede a impugnação da candidatura de Kanesaki e Nogueira alegando o crime de captação ilícita de sufrágio, ou seja, compra de votos. O promotor agora trabalha na identificação de alguns professores da escola, que não foram coniventes com o suposto ato ilícito, para prestar depoimento.
O que dizem os candidatos
Um dos coordenadores da campanha de reeleição do candidato Reinaldo Nogueira, Fabiano Caetano Rolindo, disse que não vai comentar as denúncias antes de ter acesso ao conteúdo.
O candidato a vereador Massao Kanesaki nega ter dado a geladeira e o micro-ondas à escola. “Quem fez a doação foi a Acenbi (Associação Cultural, Esportiva Nipo Brasileira de Indaiatuba)”, disse. Kanesaki falou que não exerce nenhum tipo de cargo na associação atualmente, mas já fez parte da diretoria. Em relação à festa, ele disse que o evento ocorre mensalmente e também foi realizado pela Acenbi. Além disso, garantiu que nenhum dinheiro dele foi utilizado, já que os associados levam comidas e bebidas.
O chefe de gabinete do deputado estadual Rogério Nogueira, Pérsio Paura, confirmou que houve uma reunião na escola, mas, segundo ele, foi solicitada pela diretoria. De acordo com Paura, o encontro foi para falar sobre um estacionamento para o colégio, além de uma possível mudança no sentido da rua.
Diretoria de Ensino apura o caso
A Diretoria Regional de Ensino de Capivari, que administra as escolas estaduais de Indaiatuba, informou que instaurou nesta segunda-feira (3) uma apuração interna sobre o caso.
Por meio de nota divulgada pela assessoria de imprensa da Secretaria da Educação do Estado, informou que pretende "averiguar os fatos para que possam ser tomadas as medidas cabíveis no âmbito administrativo, independentemente de quaisquer providências da Justiça Eleitoral e do Ministério Público".
Veja a nota na íntegra: "A Diretoria Regional de Ensino de Capivari, que administra as escolas estaduais do município de Indaiatuba, imediatamente instaurou ontem (03/09), tão logo tomou conhecimento da denúncia, apuração preliminar com a finalidade de averiguar os fatos para que possam ser tomadas as medidas cabíveis no âmbito administrativo, independentemente de quaisquer providências da Justiça Eleitoral e do Ministério Público. A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo ressalta que a legislação em vigor veda durante o período eleitoral a permissão de uso de bens públicos, imóveis ou móveis, em favor de qualquer candidato, partido político ou coligação."
 

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Exercício de memória para Estoriadores enferrujados

http://www.coletivokrisis.blogspot.com.br/search?updated-min=2010-01-01T00:00:00-02:00&updated-max=2011-01-01T00:00:00-02:00&max-results=50

"FODA-SE."


pouco mais de um ano, e o que mudamos?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

E a Amazônia é de quem mesmo?

http://br.noticias.yahoo.com/for%C3%A7a-nacional-recebe-amea%C3%A7a-recua-sul-amazonas.html

Capitalismo verde ainda é capitalismo



Todo mundo sabe que está na moda falar sobre “capitalismo sustentável” e “economia verde”. Todas as empresas se apresentam como sendo ambientalmente corretas e socialmente responsáveis e o termo sustentabilidade é a bola da vez.

O problema é que conciliar a conservação do meio ambiente e a produção capitalista de bens de consumo parece impossível. Além disso, as empresas e países têm resistido ao debate, já que preservar significa custos e consequentemente diminuição no lucro.

Até agora, pelo menos, a única perspectiva de debate que vamos assistir será a Rio +20 que acontecerá no Rio de Janeiro e pretende atualizar os protocolos de intenções dos países que vão ter um papel mostrando que se preocupam com o meio ambiente. Possivelmente nada farão na prática, assim como foi com Kyoto.
Mas surgiu uma luz para as empresas: E se ao invés de limitarem a produção em prol do meio ambiente, porque não fazer dos próprios recursos naturais mais uma forma de lucro? Surgiu assim o debate para a venda de créditos de carbono [conhecido pela sigla REDD - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação].

A proposta é que ao invés de diminuir o seu próprio impacto diminuindo a produção a empresa pode “colaborar com o mundo” comprando uma floresta. E os países que ainda têm floresta não precisaram se sentir culpados por não terem acabado com suas florestas, porque receberão dinheiro por isso.
No momento, propostas de projetos assim já começaram a surgir, mas todos ainda aguardam uma regulamentação global da prática para que possamos produzir poluição e degradação e trocar por rios, ar e quem sabe, até povos tradicionais.

Mas isso é sustentabilidade ou economia verde? O conceito de sustentabilidade está associado a pensar no futuro, produzir para que se possa continuar produzindo. Mas a lógica capitalista de produção não funciona dessa forma, já que quanto mais escasso é um produto, mais valioso ele é.  Como já explicou em um artigo Camila Moreno, coordenadora de sustentabilidade da Fundação Heinrich Böll, a Economia Verde carrega uma grande contradição: ela só produz riqueza quando há escassez dos recursos naturais. Afinal, se houvesse, por exemplo, água para todos, alguém precisaria pagar por ela?

A proposta em discussão que temos significa somente a mercantilizarão da natureza. Não estamos caminhando para um mundo mais justo, com mais produção de alimentos e que assegure os recursos mínimos para sobrevivermos. Estamos assegurando somente a manutenção da economia vigente e com novas palavras que impulsionam o marketing. Estão pintando uma economia já velha de verde.

Destaco que um dos temas do evento Rio +20 é a erradicação da miséria. Mas os debates sociais que englobam também a proteção dos povos originários ficaram de lado, e serão debatidos em um evento paralelo, chamado Cúpula dos Povos, que ainda precisa conseguir autorização para o local. Afinal, não acharam que iriam reunir todos os líderes do planeta pra discutir esses detalhes, não é?

É importante pensar no meio ambiente. Mas que ele não seja só mais um meio para viabilizar o capitalismo. Mesmo que seja pintado de verde, ainda é capitalismo.

sábado, 14 de abril de 2012

Mas as pessoas na sala de jantar... (enquanto assistem Jornal Nacional)


Eu quis cantar
Minha canção iluminada de sol
Soltei os panos sobre os mastros no ar
Soltei os tigres e os leões nos quintais
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei fazer
De puro aço luminoso um punhal
Para matar o meu amor e matei
Às cinco horas na avenida central
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

Mandei plantar
Folhas de sonho no jardim do solar
As folhas sabem procurar pelo sol
E as raízes procurar, procurar

Mas as pessoas na sala de jantar
Essas pessoas na sala de jantar
São as pessoas da sala de jantar
Mas as pessoas na sala de jantar
São ocupadas em nascer e morrer

terça-feira, 10 de abril de 2012

O meio e o fim do ambiente...

[Recebi esse texto por email, não achei a autoria...]

Na fila do supermercado, o caixa diz uma senhora idosa:
- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis ao meio ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente.
- Você está certo - responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.
Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?

segunda-feira, 9 de abril de 2012

É feriado no Camboja

Tá vendo agora o motivo do teu tênis ser mais barato?


[fonte: Virgula UOL]

Cerca de 200 funcionários entram em colapso na fábrica da Nike no Camboja


Na última sexta-feira (6), 198 trabalhadores entraram em colapso na fábrica da Nike no Camboja. "Estamos muito preocupados com isso", disse o Secretário-geral da Associação de Fabricantes de Vestuário no Camboja. O fato ocorreu apenas dois dias após pelo menos 107 trabalhadores da mesma fábrica desmaiarem.

Estes são os últimos de uma série de incidentes de desmaios em massa no país. Em 2011 aconteceram incidentes em pelo menos 11 confecções. Os casos têm sido associados aos baixos salários e ao impacto sobre a nutrição dos trabalhadores, bem como à pouca ventilação, exposição a produtos químicos, e excesso de horas de trabalho.

Em agosto do ano passado, 284 trabalhadores desmaiaram em uma fábrica localizada na província de Kompong Chhnang que fornece para a H&M. Alguns empregados relataram ter sentido um cheiro forte vindo das camisetas antes do desmaio. Em junho, 49 trabalhadores adoeceram em uma fábrica que produz roupas para a Puma. 


Então, você foi para a escola por um ano ou dois
E acha que você já viu de tudo
No carro do papai pensando que vai longe
Lá no oriente seu tipo, não rasteja
Toca jazz pra se mostrar seu otário
No seu estéreo cinco estrelas

Dizendo que sabe como os negros sentem frio
E que a favela tem tanta alma
É hora de provar aquilo que você mais teme
A Guarda Direitista não irá ajudá-lo aqui
Aguente, meu querido
Aguente, meu querido

É um feriado no Camboja
É difícil, garoto, mas é a vida
É um feriado no Camboja
Não esqueça de matar uma esposa

A barriga estriada, você suga como uma sanguessuga
Quer que todos ajam como você
Beijando bundas como uma puta pra ficar rico
Mas teu patrão fica mais rico que você
Bem, vai trabalhar mais duro com uma arma nas costas
Por uma tigela de arroz por dia
Será escravo dos soldados até você morrer de fome

Então sua cabeça será espetada em uma estaca
Agora você pode ir onde as pessoas são uma só
Agora você pode ir aonde eles fazem as coisas acontecerem
O que você precisa, meu filho...
O que você precisa, meu filho...

É um feriado no Camboja
Onde as pessoas se vestem de preto
Um feriado no Camboja
Onde você beija bundas ou morre

Pol... Pot,
Pol... Pot,
Pol... Pot,
Pol... Pot*

E é um feriado no Camboja
Onde você faz o que te mandam
Um feriado no Camboja
Onde a favela tem tanta alma
Pol Pot!

Notícias sobre a Operação de Lula

      Como largamente divulgado pela imprensa marromena, Lula foi diagnosticado como portador de um câncer na laringe. Foi submetido à cirurgias e quimioterapias. A foto abaixo é uma foto da primeira visita de FHC a Lula no hospital.



Após calçar as luvas, FHC submeteu Lula à cirurgia que viria a trazer de volta ao rosto de Lula aquela alegria de sempre. A foto abaixo foi tirada pela nossa equipe em coletiva de imprensa.
 
"e olha que foi só uma barbeada", disse FHC com lágrimas nos olhos de tantas risadas. Lula, em companhia do velho ídolo disse que recusou a anestesia "foi como tirar o peso de uma máscara". Uma repórter desmaiou durante a coletiva da imprensa, devido a uma 'súbita visão duplicada de tucanos voando e rindo como corvos no palanque' - a imprensa petista negou o emprego [sic] de efeitos especiais no palco.
Lula passa e cozinha bem.

domingo, 8 de abril de 2012

Sem Coração

Brillaba el cielo, había luna llena
brillaba la luna, clara
como el sol por la mañana
yo iba siguiendo el corazón calle arriba
y no sé por qué,
empecé a romper retrovisores
de los coches aparcados
¡Fuego al Clero!
Incendié una catedral
y destrocé una sucursal
del Banco de Santander...

¿por qué?, ¿por qué?, ¿por qué?
porque no tengo corazón,
que es que no veis que no,
que yo no tenía corazón.
 Era uma vez um menino que pensava que era mau. Todo dia ele saía pra rua (depois eu conto o que ele fazia dentro de casa) e bancava o malvadão. Só para vocês saberem a malvadeza que era ser esse menino, um dia desses ele viu um homem com o dobro do tamanho dele jogar uma garrafa dessas de refrigerante no chão do metrô. A gente sabe que qualquer pessoa boa faria alguma coisa - pegaria a garrafa, ou falaria uns palavrões, ou mesmo daria um soco no sujeitaço. Mas o nosso menino mau, não... esse era muito mau, e por isso, não fez nada. 
Não vou dizer que ele é de todo mau, por quê no fundo ele ainda pensou em algo para fazer, mas logo parou e pensou Ahh... e voltou aos pensamentos habituais. Coisas 'más'.
Outra vez ele estava no ponto de ônibus e uma senhora muito feia caiu bem na sua frente, derrubando sem querer todas as batatas que com tanto esmero tinha escolhido no mercadinho careiro de duas quadras pra lá (o mais perto de onde estavam). Pois nosso menino exemplarmente mau... sequer olhou. Sabia que estava acontecendo alguma coisa, mas sabia também que se olhasse, teria que fazer alguma coisa (isso me faz pensar que ele não era tão mau assim). A pobre senhora feia catava as batatas em meio às poças de água e às ondas que alguns carros arremessavam contra ela. Uns outros e outras aproveitavam a cegueira da cidade e davam risadinhas. Um cancro, esse ponto de ônibus.

Mas ele era um exemplo de maldade era em casa. Era o diabo, praticamente. Se trancava em seu quarto e passava dias e noites inventando feitos na internet. Tinha uma outra personalidade, a virtual, e essa era uma maldade digna de grandes malfeitores. Lá dizia tudo que não era, aumentava as pequenas coisas que imaginava que tinha feito, era rude, duro, corajoso e belo. E toda rede social virtual estava contaminada. Todos eram maus e más. Um ou outro ser humano se salvava, mas quase não aparecia, ocupado que estava tentando fazer alguma coisa. 

Um amigo lhe disse que ele era mais mau que o hitler. Porque o hitler matava as pessoas pensando num mundo melhor (que era melhor para seu grupelho assassino), mas ele, o nosso menino mau, era mau, por quê sequer pensava num mundo melhor, só pensava no seu próprio umbigo, era um inerte. O menino sorriu algo confuso - ser pior que o hitler não era para qualquer um. O amigo apressou-se em justificar que hitler era mau, muito mau, que assassinou milhões de pessoas, e que era mau e mau e mau, mas tinha um sentido pelo menos. Esse amigo também não era bom da cabeça, por isso eram tão irmanados.
Às vezes esse menino até sentia vontade de fazer alguma coisa, quando via alguma situação que era capaz de ajudar. Mas sempre pensava Me falta coração... e preferia então ser mau.

mas no fim, não era tão mau... acho que no fim
era só um babacão, covarde e preguiçoso.

 

hay que organizarse
hay que organizarse
hay que organizarse
hay que organizarse...
[a música é Corazón, do Albert Pla]
eita mundão de meu deus.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

[Grécia] Suicídio público em frente ao Parlamento

Um aposentado de 77 anos suicidou-se nesta manhã na praça principal de Atenas, Sintagma (Constituição), em frente ao Parlamento. Foi um dos muitos suicídios realizados durante os últimos anos na Grécia. Talvez a palavra suicídio esteja colocada errada. Na realidade se trata de um assassinato. As condições desumanas de insegurança, precariedade, miséria e raiva que geraram o Sistema, conduzem ao desespero e à morte.
A Grécia é um dos primeiros países na Europa em número de suicídios por habitantes, apesar de alguns anos atrás ter sido um dos países com menor número de suicídios na Europa. Segundo dados oficiais, há um aumento de 40% entre janeiro e maio deste ano em relação ao mesmo período de 2010. Os suicídios dobraram desde que começou a chamada crise, há aproximadamente dois anos. E vão crescendo dia a dia. Somente hoje, 4 de abril, uma outra pessoa cometeu suicídio em Creta, enquanto outra pessoa tentou o suicídio na ilha de Quios.
O aposentado enfrentava enormes problemas econômicos que o levaram ao desespero. Às 9 horas da manhã ele deu um tiro com uma arma em si mesmo, escolhendo acabar com a sua vida em um local simbólico. No bilhete que ele deixou [primeira imagem em anexo] diz:
"O governo de ocupação de Tsolákoglu¹ destruiu literalmente todos os vestígios da minha sobrevivência, que se baseava em uma pensão digna, onde eu estive pagando por 35 anos (sem apoio do Estado).
E como que eu tenho uma idade que não me permite uma reação combativa (certamente sem excluir essa possibilidade; Se apenas uma pessoa pegasse uma Kalashnikov, o segundo seria eu), não consigo encontrar outra solução, salvo um fim decente, antes de começar a procurar comida no lixo para se alimentar.
Creio que os jovens sem futuro vão pegar em armas e vão enforcar aos traidores nacionais de cabeça para baixo na Praça Syntagma, como os italianos fizeram com Mussolini em 1945, na Praça Loreto, em Milão”.
Hoje, quarta-feira, 4 de abril, às 18h, irá acontecer uma manifestação na Praça Syntagma, em Atenas. Na segunda imagem [em anexo] mostra o cartaz-chamada para a manifestação. Coloca os dizeres: "Não foi um suicídio. Foi um assassinato. Que não nos acostumemos com a morte”. Outras manifestações terão lugar em Tessalônica e Heraklion, em Creta.
Algumas semanas atrás escrevemos que nos tiram os salários e pensões, nos estão tirando a própria vida. Não era uma metáfora. A pessoa que cometeu suicídio na praça principal de Atenas foi um dos muitos casos que justificam esta constatação. Poucos dias atrás uma pessoa idosa tirou a vida na ilha de Zante, deixando uma nota que dizia: "Não quero ser um peso para os meus filhos". Muitos suicídios não estão vindo à luz do dia. O capitalismo já nos mostrou a sua verdadeira face há muito tempo.
Eles estão matando nossos sonhos, estão saqueando nossas vidas, estão matando seres humanos, próximos a nós. Tens as mãos manchadas com sangue, mas enchem os cofres fortes, os seus e os de seus patrões. Conduzem as massas à miséria, mas... nos estão "salvando". Eles disparam contra nossas vidas, mas... nos prometem um "futuro melhor". O Capital e o Estado nos levam a miséria, a indignação, a morte. Não podemos permanecer passivos, contemplando-os nos executando a sangue frio! Não podemos ficar de braços cruzados e que os vejamos nos matando, roubando-nos a vida, nos matando diariamente. Precisamos de mais exemplos marcantes para fazer o que nos incita a fazer o aposentado² que se viu forçado a cometer suicídio em frente ao Parlamento? Não só os oprimidos no território do Estado grego. Os oprimidos de toda a terra.
PS: Este não é momento adequado de dedicar tempo para criticar ou analisar as lágrimas de crocodilo derramadas pelos políticos e os meios de desinformação.
[1] Primeiro-ministro grego, nomeado pelas forças de ocupação alemãs durante a ocupação do país pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.
[2] Claro que não estamos de acordo com os traidores nacionais. No entanto, todos entendemos a mensagem e a interpretamos de diferentes maneiras...
agência de notícias anarquistas-ana
a chuva cai forte
e os ruídos que sobem
corroem meus olvidos
Thiago de Melo Barbosa

domingo, 1 de abril de 2012

Dica Krisis: O homem que sabe - do Homo Sapiens à crise da razão


"A mudança sempre foi uma característica de tudo o que vive, especialmente a vida orgânica, marcada por um sistema de trocas, de retroalimentação constante, e, mesmo o inorgânico, uma pedra, hoje sabemos, também esta em movimento. Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, dizia Heráclito, não apenas porque as águas correm, mas porque nós também não somos o mesmo, nunca. Assim como a natureza, a cultura sempre esteve marcada por mudanças, me lembro do meu avo assistindo TV e esbravejando a perdição da juventude. Com tudo isso, podemos perguntar, o que há de novo nos impasses que a cultura hoje enfrenta?

Acredito que exista sim uma especificidade em nosso tempo, que instaura uma mudança nas estruturas mais profundas da cultura. Não vivemos, eu penso, apenas uma mudança, mas uma interseção de mudanças que aponta para a emergência de um novo homem e de uma nova sociedade. Três são os eixos desta transformação: a exaustão ambiental e a instabilidade climática, gritando em nossos ouvidos a fragilidade da cultura e reinstaurando o valor da vida; a revolução tecnológica com sua radical mudança de meios, fazendo a civilização sair de um modelo linear de raciocínio e comunicação para um modelo complexo que se estrutura em redes; uma reordenação nas relações de poder da sociedade, que, em função da crise ambiental e das novas tecnologias, sai do modelo piramidal para uma estrutura hierárquica horizontalizada onde quem manda e quem obedece estão sempre muito próximos, além de uma reordenação econômica que se deu entre países ricos, pobres e emergentes. Da somatória destes três eixos temos como resultante uma radical e profunda mudança de valores, e toda mudança de valores traz conseqüências significativas. Estamos saindo, hoje, de um capitalismo de produtos para um capitalismo de conceitos, do real ou do atual para o virtual. Diante de novas e inusitadas questões, diante da queda de valores e da emergência de novos, torna-se necessário voltar ao começo: quem somos, quem queremos ser e qual a sociedade em que queremos viver?

O livro “O Homem que Sabe- do homo Sapiens a crise da razão” busca refazer a trajetória desta transformação, que começa com o surgimento da consciência, com o início dos rituais fúnebres, há cem mil anos, inaugurando o desdobramento moral que instaura o primeiro valor, a vida, passando pelo nascimento das interdições, ou seja, das leis, como a que exige que os corpos não sejam deixados como alimento a outros animais, e, ao mesmo tempo, como o outro lado desta mesma moeda, a transgressão, como suspensão provisória da lei permitindo as festas e o erotismo. A seguir, discutimos o surgimento da linguagem estruturada como o filtro que configura o mundo em signos, como mapa do mundo, que terminara por produzir estruturas conceituais cada vez mais elaboradas. A mitologia grega é então pensada como um esboço do mundo, um sistema que se utilizando da arte nos conta o mundo, o apresenta por meio de signos, de relatos, de linguagem. Falamos da epopéia e da tragédia grega como dois modos distintos de lidar com a dor, com a morte e com a vida; agora a morte aparece não como experiência refletida como consciência e valor, mas como fundamento de novos valores. A beleza como uma forma de maquiar a dor, e a arte como uma maneira de fortalecer o homem para lidar com o sofrimento constitutivo da vida. E, a seguir, falamos do nascimento da razão na Grécia clássica, como o primeiro modelo estruturado, não mais do mundo, mas do homem. A razão é então vista como uma linguagem que busca afastar a mudança, as contradições, em busca do imutável, da verdade. Agora o homem surge como um valor, e acredita, como sujeito que age, poder atingir, pela via da causalidade, a ferida da existência, a morte e a dor, e cura-lá. Aqui nasce o modelo de homem e de pensamento, a razão, que nos constituiu ate o século XX, mas que se desintegra enquanto este século caminha em direção ao século XXI. Se a razão grega foi, de algum modo, fortalecida pelo pensamento moderno com seu fanatismo pelo controle da natureza, dando ao mesmo tempo lugar ao surgimento da revolução industrial e do capitalismo de produtos, por outro, a exaustão desse modelo, seu esgarçamento, ocorre como tecido que se rompe permitindo não mais uma linha que segrega, quando julga o bem ou mal o certo ou o errado, mas uma multiplicidade de linhas e valores que se entrecruzam em uma rede, ou em redes de valores, de relações e de informações, de conhecimentos. Falo então de um novo modelo de razão mais ampliado, trazido pelo pensamento kantiano, que inclui a arte como um dos pilares desta razão que não é apenas teórica e prática, mas sensorial e estética. E, enfim, termino o livro afirmando esta razão ainda mais ampliada por Schiller e NietZsche, que afirmam, cada um a seu modo, a necessidade de repensar o pensamento e a educação como espaço de produção e reprodução de saberes. Educar para a vida, afirmar a vida e seu valor, acima das excessivas configurações de linguagem que sustentaram as castas, as exclusões que marcaram a civilização ate aqui. Sempre afirmando a arte, a criação, o lúdico, como uma necessidade deste homem que sabe, desde que se tornou humano, que um dia vai morrer."

Breve artigo escrito por Viviane Mosé sobre sua obra "O homem que sabe - do Homo Sapiens à crise da razão" 

sexta-feira, 23 de março de 2012

Ao vento, ao ouvido que quiser pegar, à memória que quiser lembrar...

 imagem de: http://verticontes.blogspot.com.br/2010/07/nao-coloque-o-nariz-se-nao-for-chamado.html

...às raízes.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Será o 8 de março realmente das Mulheres?



Talvez não devesse existir um dia para que lembrássemos delas. Só pra constar, uma etnia ou gênero que possui um dia especial em que comemoram a própria condição, geralmente é pra disfarçar a opressão que sofreram ao longo da história e que ainda sofrem. Nas escolas lembramos sempre de quais dias? Dia do índio, massacrados por 500 anos do passado brasileiro, que tomaram suas terras e ainda cederam de volta uma minúscula parte delas, como se fosse um puxadinho pra compensar a expulsão. Dia da Consciência Negra, pra compensar anos de tortura e escravidão desmedida, tratados como produtos apenas por não terem a mesma cor da pele, por HOMENS de pele BRANCA.


E o Dia Internacional das Mulheres? Bom, aqui tomo a liberdade de colocar algo que li hoje, escrito pelo meu irmão Bruno Baader:


"Existem duas teorias sobre a origem do dia da Mulher: A primeira fala de 130 mulheres que, durante uma greve por melhores condições de trabalho e menor jornada (que era de 16 horas), foram trancadas na fábrica e carbonizadas num incêndio criminoso. A segunda fala de uma onda de protestos na Rússia por melhores condições sociais e contra a entrada do país na 1ª Guerra Mundial que desembocaram na Revolução Russa de 1917."

Bom, nem é preciso dizer que, independente de qual seja a teoria verdadeira (ou verossimilhante), ambas apresentam uma origem a partir da luta, seja por direitos, seja contra a opressão. Nos dois casos, os responsáveis por privá-las de direitos e liberdade eram HOMENS, de pele BRANCA.

Se vê por aí alguém lembrando do dia do homem ou o dia do branco? Não? Pois é, isso acontece justamente por serem as mentalidades de machismo e racismo, desse homem branco, as que movem parte dos comportamentos sociais atuais. Essas mentalidades preconceituosas não precisam ser compensadas pela sociedade com celebração de datas, pois elas são DOMINANTES nessa mesma sociedade! O dia internacional da mulher não é pra comemorar o machismo atenuado, mas sim pra protestar contra ele. O dia se originou por motivos de luta, mas hoje tornou-se um meio de reafirmação de valores preconceituosos. As mulheres não são tratadas como produtos (tal como os negros foram por muito tempo) embelezados? As mulheres não eram (e ainda são, só que felizmente menos que antes) limitadas a algumas esferas sociais específicas (tal como os indios são atualmente)? A pergunta principal que fica é: são comportamentos que satisfazem quem, no final desse processo todo? O dia 8 de março se tornou nada mais do que uma comemoração do bem que elas fazem aos homens. E isso significa que elas seriam um meio, enquanto a satisfação dos homens seria o fim.



Se existe algo para comemorar nesse dia 8 de março, é justamente os movimentos de luta rumo à igualdade entre os sexos e gêneros, bem como a libertação dos mesmos em relação ao sistema. Mas não, vemos o oposto disso. Parabenizamos elas por serem exatamente como os homens querem, de tal forma que elas, em sua grande maioria, também acreditem que devam ser assim. Lanço uma simples questão sobre isso então: porque a calça jeans masculina é folgada, enquanto a feminina é bem justa ao corpo?


E, como se não bastasse, ainda existem homens que fazem os comentários mais machistas possíveis, tal como essa famosa frase: "Hoje é o dia da mulher, pois o resto do ano é dos homens". E quando digo homens, me refiro aos mais variados tipos, conservadores ou de esquerda. É triste ouvir, de alguém supostamente revolucionário, que as mulheres protestando sem camisa só fortalecem o machismo, pois é isso que os homens querem: ver mulher sem roupa. Bom, se for dessa forma, as mulheres deveriam usar burka até o dia em que o machismo cair, ao invés de protestarem em defesa da própria posse de seus corpos. Se nos privarmos de nossas posturas devido ao preconceito das pessoas, não só deixamos de viver, como mantemos vivo o preconceito.

Se for assim como esse cara diz, então as mulheres que queimaram sutiãs fizeram um protesto inútil (apesar de termos ele como referência até hoje no movimento feminista), já que todo homem prefere uma mulher com seios nus... Já que né, a egipcia (Egito = pais predominantemente muçulmano fundamentalista) Aliaa Magda Elmahdy (mais informações sobre ela aqui) só reforçou o machismo ao postar fotos nuas de si mesma, como forma de protesto, em seu blog... #ironia
O que se celebra todo ano, no dia 8 de março, não é a valorização da mulher, sua luta e tentativa de alcançar autonomia, mas da visão que o homem tem sobre a mulher. Uma visão que, ao contrário de libertar, limita e subordina, segrega e desmotiva. Isso, além de mostrar o quanto esse dia perdeu seu sentido original, passa longe de ser um motivo pra se dar parabéns...





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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

RELATOS DA GRÉCIA AO VIVO NA RÁDIO CORDEL LIBERTÁRIO



RELATOS DA Grécia ao vivo na Rádio cordel Libertário

Nessa quinta feira dia 16/02/2012 as 21:10 a Rádio Cordel Libertário traz AO VIVO o companheiro Yannis Androulidakis Coordenador da "Iniciativa Anarco-Sindicalista" direto de Atenas/Grécia, que falara sobre as Revoltas Populares da Grécia depois das Medidas de Austeridade do Governo Grego, e também falará da participação Anarquista em tudo isso, mesmo os meios de comunicação quase que ignorarem o que está acontecendo lá a Rádio Cordel Libertário não poderia deixar de trazer esse debate, e melhor com pessoas envolvidas diretamente nessa luta.
Também contaremos com a Participação de André de Salvador/Ba que ajudará na tradução, e também esta aberto para quem quiser ajudar nessa transmissão Internacional, o companheiro Yannis além do Grego fala também Francês e Inglês, tendo mais facilidade com o Francês.
Quem tiver interesse em saber o que está acontecendo na Grécia não pode de forma alguma deixar de escutar esse bate papo.  

Faça parte da rádio cordel libertário

Faça parte desta Rede de Comunicação Libertária divulgando a programação para sua lista de e-mails e para toda sua rede social, e também se tiver algum contato ou conhecimento de algum Coletivo/Movimento Libertário/Anarquista existente, mande para a Rádio o e-mail, contribuindo assim de forma direta na programação e o fortalecimento deste meio de comunicação.
Durante as transmissões ao vivo as/os ouvinte poderão participar ativamente da programação, por meio de perguntas e reflexões através do chat presente no blog, ou mesmo AO VIVO. Quem quiser acompanhar/escutar as entrevistas que já ocorreram, elas já estão disponíveis no Blog na página PROGRAMAS ANTERIORES.

             LEMBRANDO
                          * 21:10 - Transmissão ao Vivo
                          * 09:00 - Reprise no dia seguinte



Rádio Cordel Libertário
A Rádio que Valoriza e Respeita a Liberdade e a Diversidade!
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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Resultado da reintegração de Pinheirinho

Resultado da reintegração de Pinheirinho:

Governo Federal:
Lavaram as mãos (com sangue) e não fizeram a menor questão de agir em defesa das próprias liminares: "SP, a gente não quer que vocês façam isso. Vão fazer mesmo assim?? Então tá, DEPOIS que vocês terminarem a gente conversa!"

Governo Estadual:
Ligaram a torneira (de sangue) e conseguiram o que queriam, expulsar as famílias e deixa-las ao nada...

PSTU:
Conduziu as manifestações (vulgo pegar a galerinha pela mão e mostrar o caminho) e conseguiu o que queria, sai com um marketing fortalecido pra tal Revolução da Vã-Guarda

Famílias de Pinheirinho:
Sofreram, sofreram, sofreram, e agora estão sofrendo mais ainda...

De que lado você está?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Anarquismo dos Histéricos (de Ezio Flavio Bazzo)

-Esse texto me faz pensar, muito...-

[Ó multidões humilhadas e vassalas, que caminhais penosamente sob o pêso dos fardos, arrastando
correntes, por que não tendes o ânimo e a firmeza das mulas?]
Charles Ribeyroles

Apesar de todas as objeções, temos que admitir que o Estado é um monstro que deu certo. Um monstro que tem tanta certeza de si que nem se abala com Jornadas e Simpósios como este, onde, a priori, a maioria dos participantes propugna por seu aniquilamento e por sua morte. Ou não? Como previu o autor do Leviatã, assistimos meio embasbacados e meio atordoados, o triunfo insensato e absoluto da máquina política sobre nossa mente, sobre nosso desejo e sobre nosso tempo... Experimentamos a falsificação das nossas paixões, a racionalização dos nossos sentimentos e dos nossos comportamentos, de acordo com a má fé das regras estabelecidas pelos políticos, pelos padres, pela imprensa e pelos funcionários do Estado...

Desde os discursos incendiários de Bakunin (1814-1876) e de Kropotkin (1842-1921), desde a filosofia pré-psicanalítica de Max Stirner (1806-1856) e das bravuras heróicas dos libertários menores que todos conhecemos, o Estado não recuou um só passo. Deu voltas, fantasiou-se, foi do autoritarismo feudal à beneficiência complacente, pintou-se os lábios, enquadrou-se à democracia platônica, voltou a exercer a intolerância e o regime ditatorial, fez-se novamente bonzinho, indenizou às famílias dos que foram jogados ao mar, auto denominou-se liberal, ético, laico, defensor máximo dos direitos humanos... etc, etc. E nesse tempo, enquanto estávamos bêbados ou hipnotizados pelo «bem-estar-social», astuciosamente reinvestiu em suas forças armadas, na polícia, no sistema judicial, na espionagem, nas técnicas de tortura, e inventou a cidadania, as fronteiras, a obrigatoriedade do passaporte, criou a ONU e, o mais espetacular: aperfeiçoou maliciosa e silenciosamente a Constituição, o Código Penal e os Presídios. Enquanto esbravejávamos quase messianica e religiosamente à margem, nas universidades, nos botecos, nos sindicatos, nos motéis, nos estádios, nas caminhadas ecológicas, nos shopings, nos barracões da Santa Sé ou do Reino de Deus, o Estado se travestia para poder seguir sendo o mesmo impostor brutal de sempre, só que mais sútil e mais carismático para não causar-nos mais tanto espanto. Sobreviveu à todas as maldições do rebanho desarmado, a todos os discursos em contrário, a todas as dissidências, a todos os atentados, a todos os motins, greves, idealizações revolucionárias e histerismos coletivos... E não apenas sobreviveu, mas reatualizou seus truques de dominação e se fez mais Eficiente e mais Onipotente, derrotando e escravizando-nos de maneira absoluta. Querem uma prova dessa escravidão? Pensem nos impostos e nos tributos obrigatórios que somados, representam o equivalente a cinco meses de nosso rendimento anual. (água, luz, telefone, condomínio, IR, ISS como autônomo, ISS como funcionário, estacionamento, plano de saúde, seguro contra acidentes, CPMF, IPTU, IPVA, CRP e até licença para exercer a profissão... sem mencionar os impostos indexados à comida, à gasolina, aos remédios, aos livros e até ao caixão mortuário e ao coveiro que zelará por nossa tumba durante uns dez anos para que não nos desalogem e lancem em nosso lugar o cadáver de algum outro indigente. E se isto não for suficiente, pensem nos bancos e nos banqueiros. Nada simboliza mais a falência de nossos sonhos e a derrota de nosso pensamento do que a existência e o poder dos banqueiros... E é a partir deste olhar quase sinistro, «camaradas», «irmãos libertários» e «anarco-companheiros» que lhes pergunto: quê porra de anarquistas e quê porra de libertários somos nós? Nestes quase duzentos anos, quê conquistas e quê vitórias podemos lançar em nossa agenda, tanto no que diz respeito ao anarquismo como modo de vida como ao anarquismo como visão de futuro? Aqueles que em sua trajetória não caíram na libertinagem despótica, conseguiram chegar, a ser, na melhor das hipóteses, libertários repúblicanos..

E para agravar ainda mais o contra-senso, todos aqui, de uma maneira ou de outra, somos servidores do Estado. Vocês, seus pais, mães, avós, tios, tias? eu e todos os palestristas que hoje e amanhã lhes dirão algumas palavras, somos casados na igreja e no civil, católicos, macumbeiros, teístas, aposentados, vacinados, e lacáios oficiais desse monstro. Inclusive este auditório e este microfone pertencem ao Estado. Basta a ordem de um DAS 2, de uma secretária terceirizada ou de um sub-chefe da segurânça para que tenhamos que desocupá-lo de imediato. E não adiantará espernear, querer explicações, fazer abaixo-assinados, greves, abrir sindicância, ressuscitar o Roberto Marinho, jogar as cadeiras contra as paredes... Pois para tudo isto o Código Civil e Penal já dispõem de regras bem definidas, regras que os juízes, amparados por seus dezesete mil reais mensais fazem cumprir com apenas dois ou três «martelaços» ou com duas ou três ordens..

Por mais decepcionante e provocador que pareça, talvez seja o momento de admitir que o anarquismo foi sempre muito mais uma dramaturgia (uma liturgia?) e uma peça literária do que um movimento. Uma literatura dita de vanguarda que, pelos séculos a fora, tem servido aos mais antagônicos e cretinos interesses. Em 1987, por exemplo, o então Presidente de nossa República fez na ONU um discurso digno de qualquer um dos touros sagrados do anarquismo universal. Ouçam e imaginem o efeito destas frases no imaginário daquela platéia naturalmente hedonista, burocrática e indiferente:

"A paz de hoje ainda não é a paz, é a dissimulação da guerra"... "O mundo não pode ter paz enquanto existir uma boca faminta em qualquer lugar da terra, uma criança morrendo sem leite, um ser humano agonizando pela falta de pão"..."Depois da prosperidade, quando veio a recessão, passou a reinar mais a selva predatória de Hobbes do que a fecunda anarquia de Adam Smith".."Não seremos prisioneiros de grandes potências nem escravos de pequenos conflitos"... "Mais do que as hecatombes dos conflitos mundiais, mais do que o confronto estéril da guerra fria, a descolonização ficará como a grande contribuição do século XX à história da humanidade" etc, etc.etc.

E qualquer um de nós sabe muito bem que o conhecido latifundiário e autor destas frases, nunca foi trotskista e muito menos bakuninista...

É necessário reconhecer que se continua dando estatus escrever e vociferar desde o pedestal do socialismo libertário, é porque a platéia é sempre certa... e porque o texto (independente de Barthes, que em 1980 jogou-se debaixo das rodas da caminhonete de uma lavanderia), continua dando prazer, continua sendo, no momento de sua construção, uma espécie de lúxuria artificial, e no auge de sua exibição, algo como um strip tease. Para que a perversão privada do escritório tenha plenitude ­sentimos- é necessário que se a complemente com a perversão pública do palco...

Por outro lado, depois de tanto tempo de servilismo nada voluntário e de tantas chacinas, agora todo mundo quer parecer bonzinho e politicamente correto. Que sempre foi difícil distinguir um anarquista de um padre beneditino ou de um rabino, ninguém tem dúvidas. Prestem atenção como em qualquer circunstâncias, nossos primeiros impulsos e movimentos são sempre complacentes, conciliatórios e beatos A literatura, o teatro, o rock, os pasquins estão cheios de textos anarco-insinuantes. O cinema norte-americano, francês e alemão idem. (Linguagem meretriz!) Até os apresentadores das nossas TVs, de vez em quando, relembram o heroísmo e a bravura de Sacco e Vanzetti, falam com entusiasmo da legendária comunidade anti-estatal dos Tupi-Guaranis, da Patagônia Rebelde, da Colônia Cecília e de um ou outro anarquista italiano que, sabe-se lá por quê, abandonou a luta para abrir uma pizzaria, etc, etc, Mas tudo não passa de palavras, de literatura e de apelos intelectuais que não movem como dizia Bobbio, uma palha da nefasta jaula social em que vivemos. Apelos que só servem para apaziguar nosso Ego sedento, nossa ansiedade e nosso caráter de subalternos. O próprio Bakunin já havia previsto que os intelectuais adotariam uma postura cada vez mais anarquista diante do mundo. Resta saber agora, afinal, o que é, e o que pode fazer um intelectual, no meio de uma multidão de ignorantes que não está de acordo com ele...

E depois, aqui entre nós, com exceção de um ou outro auto didata, a grande maioria dos intelectuais têm um débito quase filogenético com a engrenagem do Estado. Não necessariamente por ter conseguido o Crédito Educativo, mas por ter se construído como intelectual nas escolas públicas, nas universidades estatais e com as bolsas de pós-graduação patrocinadas pelos governos. Além disso, 95% de vocês, amanhã, quando concluirem os cursos, se não quiserem engrossar as fileiras dos indigentes e ver vossas carreiras eclipsadas, não terão outra alternativa senão bater humildemente às portas do Estado. Mendigar um estágio, um contrato, um vínculo empregatício, um DAS. E é nessa hora de ruborização e de negação de si mesmo que o sujeito compreende ­como dizia Cioran- que equivocar-se, viver e morrer enganados é o que fazem os homens. Que o inferno pode até ser um refúgio, se comparado com este desterro no tempo, com esta languidez vazia e prostrada onde, além dos movimentos do universo, nada nos interessa...

E para nós da América Latina o problema é ainda mais grave. Nossa ânsia de subversão não é apenas contra o Estado frio e calculista de Hobbes, mas contra um Estado de merda, regido num extremo por psicopatas e no outro por bandos de melancólicos auto destrutivos, que durante quinhentos anos têm investido contra si mesmos, se torturado, se prejudicado e por fim se aniquilado.

Pensem nos alimentos. É com a cumplicidade do Estado que os colonos e os produtores rurais, para aumentar a produtividade, têm envenenado sistematicamente com adubos e agrotóxicos os alimentos que comemos todos os dias. É com subsídios dos governos que as vacas, os porcos e as galinhas são inchadas de hormônios. Hormônios que vão tornar-nos obesos, cancerosos, diabéticos, broxas e dementes... e para «curar-nos», os médicos nos encherão de remédios, fabricados pelas mesmas indústrias que produziram os adubos e os hormônios... Como os remédios, por sua vez, também vão nos causar efeitos colaterais, vão exigir mais remédios, produzidos pelas mesmas empresas, pouco importando se são multinacionais ou não, já que o empresariado autóctone e nativo igual ao estrangeiro, tem assumido uma postura de abutre diante das questões da saúde... A própria longevidade, apesar de parecer uma conquista pessoal, é muito mais um triunfo das indústrias dos medicamentos. Um homem com mais de setenta ou um homem na UTI é comercialmente muito mais lucrativo que cinco ou seis jovens no auge da atividade.Observem a quantidade de farmácias que existe nas cidades latino americanas, e como esses países hipocondríacos, onde há mais farmácias quê livrarias, estão irremediavelmente condenados à mediocridade.

Pensem nos automóveis. Na necessidade compulsória e infantil de possuir um desses caixotes ambulantes... sempre a um preço vinte vezes maior do que realmente vale... e que converterá seu proprietário num pobre consumidor de sub- produtos atrelados sempre ao Estado ou aos grandes capitais: a carteira de motorista, o seguro, o IPVA, a gasolina, o pedágio, os pneus, as peças, o espaço da rua para estacioná-lo. E essa imensidão de imbecis ao volante, como era de se esperar, vai gerar milhares de atropelamentos por dia, que gerarão milhares de mutilados, que vão lotar os leitos dos hospitais e o freezer das funerárias. Os que ficarão paraplégicos, retardados, cegos, loucos, mudos, etc, dando continuidade ao mencionado ciclo de escravidão econômica, passarão a usar próteses, drogas e equipamentos produzidos pelas mesmissimas multinacionais que seguem recebendo subsídios para produzir mais e mais automóveis. Foi essa idiotice generalizada que fez com que as cidades se transformassem em imensos estacionamentos, e que a «alma» de cada um desses babacas, permaneça quase todo o tempo lá na garagem.

Sim, o Estado de merda é ainda pior que o Estado de Hobbes. Porque além de tudo é um Estado medíocre, burro e indiferente. Enquanto no Estado de Hobbes estão mapeando os genomas, no Estado de merda não se conseguiu ainda nem mapear as cáries. O Estado de Hobbes é aquele que foi destruir o Iraque, o Estado de merda é aquele que foi lá depois da guerra, recolher os destroços e articular a paz e o perdão. (mas como, diria o chato Dérrida: se só se perdoa o imperdoável). Se o Leviatã de Hobbes pisoteia os sentimentos e reduz o homem a uma máquina, o Estado de merda, com toda sua culpabilidade, fingindo ajudar, dá um jeito de piorar tudo, danificando, enguiçando e tornando a parafernália estatal ainda mais nefasta. Atolado em ambiguidades esquizóides, promove a autoflagelação coletiva e por fim se suicida. (Seu único ato de grandeza).

Pensem na saúde mental. É rotina nos Estados de merda promover silenciosamente a desagregação mental das massas. No mês passado foi desativado em Planaltina (DF), um sanatório que funcionava ainda nos moldes daqueles que horrorizaram Pinel no século XVIII. As periferias, por mais que os professores e os políticos não saibam ou não mencionem, estão abarrotadas de doentes mentais. Homens e mulheres de todas as idades enfiados em seus casebres, com seus familiares também doentes e miseráveis, vivendo como zumbis, à margem do saber, da atenção e do consumo neurótico do hospício urbano...Cinco, seis, dez, vinte gerações de pirados... e seria ingenuidade ou mau caratismo acreditar que a engrenagem estatal não tem nada a ver com isso... e que a explicação para o frenessi popular deva ser buscada apenas lá no triângulo edipiano ou apenas lá nas falhas dos neurotransmissores... Com nosso equilíbrio e nossa saúde no limite, como não enlouquecer diante de tanta manipulação, de tanta ambiguidade e de tantos estelionatos? Mas é necessário resistir, porque enlouquecer é o fim. O louco é simplesmente um louco. Não interessa mais a Estado nenhum e a ninguém.. É reduzido a um bosta, que se antes da reforma manicomiária, ficava confinado, agora, é empurrado de volta para sua família caótica e daí para a sarjeta... É verdade que quando têm dinheiro, é resgatado temporariamente pelo comércio dos medicamentos de tarja preta, mas se for um fodido qualquer, esperneia por algum tempo nos fundos da casa, num manicômio provisório e depois recolhe-se aos seus delírios, vivendo de roer unhas, de remordimentos e de bebericar num e noutro copo de cachaça, até que um ônibus lhe esmague acidentalmente os miolos ou que um outro pirado lhe dê uma rajada pelas costas. Nestes verdadeiros hospícios que são as nações, parece não haver para os grandes rebanhos nenhuma outra saída. As comunidades alternativas silenciaram e faliram e a histeria de PAZ e AMOR dos anos 60, ficou na história como um luxo efêmero. Seus atores enlouqueceram e morreram fumando ópio e hachiche pelas montanhosas estradas de Machu-Pichu, de Katmandu e da India...

Pensem na questão da sexualidade. Sinto-me quase constrangido em estar repetindo aqui o que Emma Goldman (1869-1940), a velha anarquista russa já esbravejava no século passado. A emancipação das mulheres, no que era essencial, não aconteceu e a grande maioria continua frustrada e incomodada com o rito secular da vida amorosa. A emancipação exclusivamente exterior que conquistaram, longe de lhes garantir a soberania desejada, as empurrou para um lugar ainda mais ambiguo e artificial. O sexo, apesar do teatro da sedução permanente, continua sendo um assunto predominantemente masculino. Patrimônio de homens obsessivos e estressados que sem saber o que fazer com sua libido, odeiam a recusa e o recuo de suas mulheres e voltam aos poucos às fantasias da pré-genitalidade e à masturbação... (Pesquisadores australianos sugeriram recentemente 5 masturbações semanais como prevenção do câncer de próstata). É o fim.

Se no Estado de Hobbes germinam paranóicos e psicopatas aos montes, no Estado de merda a tendência é produzir cada vez mais maníaco-depressivos. Até os quarenta anos, empurrado pelas mentiras sociais, pela propaganda enganosa, pelo esoterismo, pelos hormônios, pelas promessas, pelas ficções profissionais e transcendentes que brotam por todos os lados e pela busca compulsiva de independência, o sujeito encarna o MANÍACO. Depois dos cinquenta, quando percebe que tudo não passava de uma falácia, e que seus anseios eram apenas cofres vazios, vai mergulhando irremediavelmente no desânimo e na DEPRESSÃO, de onde, se não conseguir resignificar seu presente e sua história, não sairá nunca

Proliferam-se os shopings, as feiras, os sex shops e os mercados por todas as cidades e vilarejos... Os sociólogos, os psicólogos, os comunicólogos são recrutados cada vez mais pelos políticos e pelos comerciantes. É necessário criar sempre novas necessidades no rebanho, atrelar ao supérfluo uma chispa de transcendência ou de volúpia, e depois, apenas esperar e vender. O caso do telefone celular e do viagra são mais do que ilustrativos, duas interferências graves sobre nossa fala e sobre nosso phalo. Através desses dois produtos, obrigam-nos a falar e a trepar, mesmo quando a maioria dos usuários não consegue sair nem do monólogo e nem do onanismo.

No mundo das artes, depois que o Estado se dissimulou no grande financiador e mecenas, a promiscuidade nunca foi maior. E quando não banca ele próprio os filmes, os livros, as viagens, as exposições, os congressos, as obras de arte em geral, despacha o artista, com o rabo entre as pernas, para os comerciantes ou para os donos das grandes empresas. Sujeitos que, não por amor à arte, mas por interesse tributário, não perdem a chance de, por um lado, isentar-se de impostos e por outro, aniquilar as pretensões anarcóides e anti-sociais do pedinte, com apenas um punhado de dólares. E é inútil esse mendigo ilustrado tentar redimir-se perante os comparsas, ou tentar convencê-los da conveniência de manter, com discrição um pé no atelier libertário e outro nos escritórios das estatais. Provocará inveja e não será ouvido. Melancólico... terá forçosamente que reconhecer que para idealizar um paraíso fora de sí ­como dizia Nietzsche- é inevitável fazer contato com as forças que espreitam no fundo de nosso próprio inferno.

Portanto, o Estado mecenas, se é que se pode chamá-lo assim, apesar do fascínio de alguns ingênuos, é apenas mais uma das tantas máscaras do Estado moderno. Mais uma das sofisticadas artimanhas inventadas para cooptar os inimigos espontâneos e para minimizar o asco que o populacho e as massas lhe dedicam. Vive malignamente em simbiose com os intelectuais, artistas e outros personagens do gênero, prosperando e se fortalecendo uns às custas dos outros.

Para concluir, quero dizer algumas palavras sobre crianças e livros. Apesar de toda mistificação e de todo o romantismo que ainda envolve o negócio dos livros, é chegado o momento de admitir que não corresponderam às espectativas que neles se depositou nos últimos mil anos, e que está praticamente eclipsado e aniquilado o clichê atribuído ao senhor Monteiro Lobato de que uma nação se faz com homens e livros. Balelas de todo escritor. A história tem demonstrado, do Oriente ao Ocidente, de Pequim ao Chile, das comunidades sanguinárias e canibais às melancolicamente democráticas dos últimos tempos, que as nações, prenhes de crueldade, se fizeram uma atrás da outra, apenas com armas, demagogia, sangue e dinheiro. Se os livros e a erudição tivessem servido para alguma coisa não estariamos atolados nesta pasmaceira globalizada, com um exército imenso de vivaldinos pululando e bufando ao redor da terra, falando em paz e em liberdade, sem acrescentar absolutamente nada à incômoda obrigação de viver. Não seríamos quase a única espécie do planeta (ao lado apenas dos porcos e dos ratos) a massacrar e a destruir sistematicamente nossos próprios filhos. Apesar dos séculos de feitiçaria, das intermináveis discussões filosóficas, dos milênios de religiosidade, do chicote dos ditadores, das lágrimas dos humanistas, das promessas farmacológicas e médicas... a submissão, o infanticídio, a pedofilia e outros tipos de acosso e de abusos contra crianças, continuam sendo práticas exclusivamente humanas. Provas de um arcaico e incurável ressentimento que não está registrado apenas ali na delegacia da esquina, nos diários das vítimas ou lá nos relatórios das ONGs internacionais, mas principalmente nas entranhas de praticamente todos os sobreviventes.

Quando se observa os processos, as motivações e as razões da família e dos nascimentos, assim como as relações entre o casal e entre pais e filhos, compreende-se a importância de reatualizar com urgência os conceitos sobre a «maldade materna» e sobre a «maldade paterna». Talvez Clitmenestra deva ser considerada, de uma vez por todas, o arquétipo de todas as nossas mães e de todas as nossas mulheres, e Urano o arquétipo de todos os nossos pais e de todos os nossos homens. Se a psicanálise tem demonstrado que levamos dentro de nós, ao lado da imagem de uma mãe boa, outra terrorrífica, que mata, destrói e come o filho... outros estudos também especulam com a possibilidade do pai assassino ser essencial à paternidade..

Pode ser que advenham daí, desse acosso perverso e dessa sujeição precoce, os elementos que vão predispor o sujeito, quando adulto, a todo tipo de servilismo e de subserviência, condição indispensável para que se renda e caia de joelhos não apenas diante do Estado mas de qualquer outro tipo de impostura.... Pode ser, também, que o Estado que tanto mal nos causa (fora), seja apenas uma projeção de um estado doentio que já levamos (dentro)... Mas isto é um assunto para uma outra Jornada.

Enfim, é bom ir parando por aqui.
Para que reste alguma coisa de meu ceticismo e de minhas palavras, parafraseando a Lacan, quero ressaltar que talvez, só a ciência e os velhos é que poderão vir a ser, um dia, verdadeiramente subversivos.


Ezio flavio Bazzo
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Palestra feita no simpósio
I JORNADAS LIBERTÁRIAS ­ UnB
02 de setembro de 2003