quarta-feira, 25 de maio de 2011

Divulgando mobilização

Um texto extraido do facebook, pra quem quiser olhar

"Porque los gobiernos de todo el mundo NOS ESCUCHEN !

Hagámonos escuchar por la banca, por el gobierno, por todas nuestras quejas !!
UNA MANIFESTACIÓN NO VIOLENTA YA !!!

27 de junho às 21:00h

Brasil: Museo Arte, Sao Paulo - Av. Paulista, 1578
Chile: Plaza Italia, Santiago
Argentina : Obelisco, Buenos Aires
Colombia: Plaza De Bolívar, Bogotá - Carrera 8
México: Plaza de la Constitución, Ciudad de México
Uruguay: Plaza Cagancha, Montevideo
 ...
Y EN LAS PRINCIPALES PLAZAS DE BOLIVIA, EL SALVADOR, GUATEMALA, HAITÍ, HONDURAS, NICARAGUA, PANAMÁ, PARAGUAY, URUGUAY, PERÚ, CUBA, ECUADOR, REPÚBLICA DOMINICANA, VENEZUELA, ESTADOS UNIDOS...

Nuestra lucha es por hacernos escuchar, y el mal gobierno grita soberbia y tapa con cañones sus oídos.
Nuestra lucha es por el hambre, y el mal gobierno regala plomo y papel a los estómagos de nuestros hijos. Nuestra lucha es por un techo digno, y el mal gobierno destruye nuestra casa y nuestra historia.
Nuestra lucha es por el saber, y el mal gobierno reparte ignorancia y desprecio.  Nuestra lucha es por la tierra, y el mal gobierno ofrece cementerios. Nuestra lucha es por un trabajo justo y digno, y el mal gobierno compra y vende cuerpos y vergenzas. Nuestra lucha es por la vida, y el mal gobierno oferta muerte como futuro. Nuestra lucha es por el respeto a nuestro derecho a gobernar y gobernarnos, y el mal gobierno impone a los más la ley de los menos. Nuestra lucha es por la libertad para el pensamiento y el caminar, y el mal gobierno pone cárceles y tumbas. Nuestra lucha es por la justicia, y el mal gobierno se llena de criminales y asesinos. Nuestra lucha es por la historia, y el mal gobierno propone olvido. Nuestra lucha es por la Patria, y el mal gobierno sueña con la bandera y la lengua extranjeras. Nuestra lucha es por la paz, y el mal gobierno anuncia guerra y destrucción. Techo, tierra, trabajo, pan, salud, educación, independencia, democracia, libertad, justicia y paz... Estas son HOY nuestras exigencias.




Nossa luta é para fazer-nos escutar, e o mau governo grita soberba e tapa com canhões os seus ouvidos.
Nossa luta é contra a fome, e o mau governo oferece balas e papel aos estômagos de nossos filhos.
Nossa luta é por uma moradia digna, e o mau governo destrói nossa casa e nossa história.
Nossa luta é pelo saber, e o mau governo reparte ignorância e desprezo.
Nossa luta é por terra, e o mau governo oferece cemitérios.
Nossa luta é por trabalho justo e digno, e o mau governo compra e vende corpos e vergonha.
Nossa luta é pela vida, e o mau governo oferece a morte como futuro.
Nossa luta é pelo respeito ao nosso direito de governar e nos governarmos, e o mau governo impõe à maioria a lei da minoria.
Nossa luta é por liberdade para o pensamento e o caminhar, e o mau governo impõe cárceres e túmulos.
Nossa luta é por justiça, e o mau governo está cheio de criminosos e assassinos.
Nossa luta é pela história, e o mau governo propõe o esquecimento.
Nossa luta é pela Pátria, e o mau governo sonha com a bandeira e a língua estrangeiras.
Nossa luta é pela paz, e o mau governo anuncia guerra e destruição.
Moradia, terra, trabalho, pão, saúde, educação, independência, democracia, liberdade, justiça e paz. Estas são HOJE nossas exigências".


questionamentos ao "nossa luta é pela Pátria", mas...

Penso que é melhor confirmar se vai mesmo haver isso por ai, quem está organizando, como... mas ficam aqui a informação e o texto para reflexão.

PROIBIÇÃO DA MARCHA DA MACONHA (a história continua...)

E mais uma vez a Marcha da Maconha é proibida pelo governo do Estado de São Paulo numa tentativa de desarticulação do movimento. A manifestação foi proibida na véspera pois a Justiça (Justiça?) a considera como um movimento que faz apologia às drogas.
Nesse momento, nos perguntamos o que exatamente significa este artigo da Constituição:


Art. 220 - A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a. informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.


Será que Liberdade de expressão se aplica apenas aos Bolsonaros da vida??
Que tipo de Justiça é essa?


"Sábado, tarde do dia 21 de maio, Avenida Paulista:

Quando a tropa de choque bateu nos escudos e, em coro, gritou CHOQUE! a Marcha pela Liberdade de Expressão do último sábado se tornou muito maior. Não em número de pessoas, mas em importância, em significado.
Foram liminares, tiros, estilhaços, cacetadas, gases e prisões sem sentido. Um ataque direto, cru, registrado por centenas de câmeras, corpos e corações. Muita gente acha que maconheiros foram reprimidos.
Engano…
Naquele 21 de maio, houve uma única vítima: A LIBERDADE DE TODOS.
E é por ela que convocamos você a aparecer no Vão Livre do MASP, sábado que vem, dia 28, às 14hs.
Não somos uma organização. Não somos um partido. Não somos virtuais.
Somos uma rede. Somos REAIS. Conectados, abertos, interdependentes, transversais, digitais e de carne e osso.
Não temos cartilhas. Não temos armas, nem ódio.
Não respondemos à autoridade. Respondemos aos nossos sonhos, nossas consciências e corações.
Temos poucas certezas. E uma crença: de que a liberdade é uma obra em eterna construção.
E que a liberdade de expressão é o chão onde todas as outras liberdades serão erguidas:
De credo, de assembléia, de amor, de posições políticas, de orientações sexuais, de cognição, de ir e vir… e de resistir.
E é por isso que convocamos qualquer um que tenha uma razão para marchar, que se junte a nós no sábado para a primeira #MarchadaLiberdade.
Ciclistas, peçam a legalização da maconha… Maconheiros, tragam uma bandeira de arco-íris… Gays, gritem pelas florestas… Ambientalistas, tragam instrumentos… Artistas de rua, falem em nome dos animais… Vegetarianos, façam um churrasco diferenciado… Moradores de Higienópolis, venham de bicicleta… Somos todos cadeirantes, pedestres, motoristas, estudantes, trabalhadores… Somos todos idosos, pretos, travestis… Somos todos nordestinos, bolivianos, paulistanos, vira-latas.
E somos livres!"
Em casa, somos poucos.
Juntos, somos todos. E essa cidade é nossa!
 COLETIVO DAR - DESENTORPECENDO A RAZÃO: http://coletivodar.org/



Sábado, dia 28 de maio, 14hs, no vão do MASP, começa a 1ª Marcha da Liberdade.
Aos que puderem, compareçam.

Todo apoio à Marcha da Maconha. Todo apoio à 1ª Marcha pela Liberdade.

Amanda

terça-feira, 24 de maio de 2011

Diga que não é verdade, diga sem mentir!

Tem gente que duvida que exista lavagem cerebral...

muito bom o blog: http://reescritadetudo.blogspot.com/

O mundo rotula seu Antônio, seu Antônio engarrafa o mundo.

Desde que cheguei a Rio Claro, ouço, com certa frequência, adjetivos rotuladores do que diabos seu Antonio era: seu Antonio é louco, era travesti, seu Antônio é hippie, é um drogado, é mendigo, é traficante... seu Antonio, por não se vestir - simplesmente e a primeira vista "se vestir" - como nós, automaticamente se torna o Outro, o Bárbaro, o Estranho, o Estrangeiro.

Seu Antonio gosta de passear de bicicleta usando roupas curtinhas geralmente de crochê. Seu Antonio machuca o eterno jejum das pessoas com a fartura de uma vida livre. Seu Antonio incorpora segundos de vida num espaço sideral marcado pelo vazio do Eterno, da ignorância.

Seu Antonio é tachado de tudo. Mas ele não é tudo, a liberdade dele é que é.

Obrigado seu Antônio, por me inspirar, também, a ser Outro.

Marcha da Coxinha.



- o senhor acha que houve exagero da força policial?
- não, saiu tudo dentro dos conformes.

enquanto houver polícia não pode haver democracia.

domingo, 22 de maio de 2011

Não queremos só o amor...

Tudo o que fazemos apenas com paixão nos dá muito mais prazer. Quando agimos com as intenções mais ternas vindas do fundo do coração, as ações ganham um ar quase que sagrado; desde nossas intenções em proteger e estar cada vez mais próximo das pessoas pelas quais nutrimos forte carinho, como mães, pais, amigos, namoradas(os) e cônjuges, até nossas intenções políticas, de querer transformar e mudar o mundo a nossa volta, e mesmo à força se pela legalidade ou pela dialética isso não for possível.

Mas como afirmou o filósofo prussiano Immanuel Kant a permanência do homem na menoridade deve-se ao fato de ele não ousar a pensar. Para tudo que fazemos nossos movimentos e nossos pensamentos devem passar, mesmo após um impulso sentimental, por uma análise racional, sem deixar que apenas o coração nos guie a possibilidades talvez infrutíferas. Pois assim age o assassino passional: quando se dá conta do seu crime seu encarceramento já é um fato consumado e, pior, sua vítima é sempre sua maior amada, o que o torna um prostrado em condição quase que eterna de remorso.

Antes, porém, e apesar de já ter deixado claro que não acredito apenas no racionalismo, esclareço esta condição novamente citando Kant: apesar da razão ser o fim último, a sensibilidade também faz parte de sua constituição. E, last but not least, como também escreveu o alemão Friedrich Nietzsche em seu brilhante Humano, Demasiado Humano: "somos, por destino, seres ilógicos". Por isso, na minha mais modestíssima opinião, querer deixar somente o sensível nos guiar a determinados fins, por mais que tentem encontrar argumentos que expliquem tais motivações, me parece um tanto injustificável...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O blog livros de Humanas fora do ar.

O blog Livros de Humanas fora do ar


Muitas pessoas, é claro, adoravam a página. Entre elas, no entanto, não estavam os editores dos livros reunidos ali. A biblioteca do Livros de Humanas era toda formada sem qualquer autorização.

- É óbvio que o blog desrespeita a legislação vigente - diz o criador da página, que mantém anonimato, numa entrevista por e-mail. - Mas não porque somos bandidos, mas porque a legislação é um entrave para o desenvolvimento do pensamento e da cultura no país.
O mesmo argumento foi defendido nos últimos dias no Twitter por intelectuais como o crítico literário Idelber Avelar, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, a escritora Verônica Stigger e o poeta Eduardo Sterzi. Do outro lado da discussão, críticas à pirataria. A Editora Sulina, que vinha pedindo a remoção da página, falou em "apropriação indevida" e o escritor Juremir Machado escreveu: "Quem chama pirataria de universalização da cultura é babaca q ñ vende livro, mas quer q alguém pague a conta. Livro tem de ser barato e pago".
O caso chama atenção para a ampliação da circulação de arquivos digitais de livros na internet, uma prática que dá novo sentido e escala à discussão sobre a circulação de cópias xerocadas no meio acadêmico.
Leia abaixo entrevista feita por email com o criador do Livros de Humanas.
Por que você criou o blog e como ele funcionava?
O blog nasceu no começo de 2009 (e saiu do ar na sexta-feira passada) para ser uma alternativa dos estudantes de letras da USP à copiadora que existe no prédio do curso e que tinha aumentado arbitrariamente em 50% (de 10 pra 15 centavos) o valor da cópia (o contrato de cessão de espaço com o Centro Acadêmico estabelece que a decisão deve ser conjunta). No começo havia a ideia de colocar apenas os textos das disciplinas de cada semestre. Esta iniciativa surgiu sem vínculo algum com o CA, que nunca se manifestou sobre o blog. No começo recebi de alguns colegas os programas das disciplinas e procurava na net se já existia cópia digital dos livros no 4shared ou similares. Se eu não encontrava, mas tinha o texto, escaneava. Por isso, no começo o blog era mais próximo dos meus interesses acadêmicos (mais crítica literária do que linguística, p. ex.) Também recebia textos de outros colegas e assim criamos o blog. No primeiro mês tínhamos menos de cem textos. Com o crescimento deste número e das visitas o blog deixou de ser apenas algo relacionado ao curso de Letras da USP (apesar de ter mantido o nome por mais um ano) e se tornou um depositário de textos da área de humanidades. O blogue saiu do ar com exatos 2.496 arquivos – não necessariamente livros, porque colocávamos também capítulos de livros, alguns de livros que surgiram inteiros no blogue tempos depois.
Com isso meu critério passou a ser o seguinte: se alguém enviava o arquivo eu publicava, independente do ano de publicação e seu estado no mercado (se era lançamento ou texto fora de catálogo). Porém eu só escaneio obra esgotada e que seja difícil de encontrar.
O perfil de seleção era bem básico: textos da área de humanidades ou correlatos. Tínhamos de obras do Will Eisner a livros sobre lógica. De autores brasileiros contemporâneos a material de ensino de língua estrangeira. De Sociologia a Ecologia. Majoritariamente entravam livros em português, mas tínhamos muitas obras em espanhol, inglês, italiano, alemão e francês.
Quantos usuários o blog tinha e qual o perfil deles?
No começo o público era quase que inteiramente uspiano. Nos últimos tempos era majoritariamente universitário, com visitas de todas as partes do globo. De estudantes de Nova Orleans ('terra' de um grande entusiasta do blogue, o professor Idelber Avelar) a visitantes dos PALOP (Países Africanos de Língua Portuguesa). Pelos e-mails de pedidos que eu recebia dava para traçar um perfil mínimo: são estudantes de universidades brasileiras com péssimas bibliotecas. É comum eu receber pedidos do tipo "preciso do livro tal para minha iniciação científica mas não o temos aqui e vi no dedalus (sistema de consulta da USP) que a biblioteca da FFLCH tem". Não consigo – pelos dados informados pelo Wordpress – determinar quantos visitantes únicos o blog recebia diariamente. Nos últimos meses a média de pageviews/dia passava de 10 mil. Em um ano no Wordpress (antes o blogue estava abrigado no blogspot) passamos dos 1,8 milhões de pageviwes, uma média de quase 5 mil/dia.
Antes desse episódio recente você já havia tido algum outro problema?
Sim. Desde o começo links são retirados do ar. E logo depois, claro, eu colocava de volta. Ficamos - eu e ABDR (Associação Brasileira de Direitos Reprográficos) - neste gato e rato até o fim. Quando o blog ainda estava no Blogspot recebi do Google um aviso sobre infração às leis americanas de Direito Autoral. Daí mudei pro Wordpress que é (ou achei que era) mais flexível. Algumas editoras me davam mais trabalho, como a Jorge Zahar e os livros do Zygmunt Bauman ("capitalismo parasitário" era o que tinha mais links retirados) mas nunca passou disso. Denúncia para os sites de hospedagem dos textos e livros. E é preciso dizer, apesar de óbvio, que não fui o responsável pela primeira disponibilização de quase todo o conteúdo do blogue. Mais procurei, editei e organizei num único centro os textos do que outra coisa.
Por que o blog saiu do ar?
Fora os e-mails da ABDR, nunca recebi nada de mais substancial. Nos últimos dias a Editora Sulina (inexpressiva, de quase 3 mil livros que tenho em casa apenas 3 são editados por ela) – seja por seu perfil ou de seu editor no Twitter – reclamou muito do blog e disse que tomaria medidas contra. E dias depois, sem aviso prévio, o Wordpress retirou o blog do ar. E, se não me engano, temos 3, no máximo 5 livros dela. Honestamente, não sei apontar (até porque alguns – como os livros do Maffesoli, hoje editado pela Sulina – são de edições anteriores, como as da Brasiliense) quais são os livros reclamados. Editoras como a Companhia das Letras, que tem cópias de milhares de livros rodando na internet, nunca se manifestaram.
Algumas pessoas defenderam o blog dizendo que ele era como uma biblioteca pública. Concorda com a comparação?
Acredito que a comparação é ruim – posto que o blog é apenas um paliativo que nasceu das péssimas condições das bibliotecas públicas do país – porém não de todo despropositada. O blog era gratuito (tempos atrás fizemos um rateio com doações diversas para a compra de um hd para becape dos arquivos) e acessível para todos. Como uma biblioteca.
E o que você acha da crítica de que o blog desrespeita a legislação vigente? 
Bem, é óbvio que o blog desrespeita a legislação vigente. Mas não porque somos bandidos, mas porque a legislação é um entrave para o desenvolvimento do pensamento e da cultura no país. O blog é tão ilegal quanto a cópia xerox nas universidades os sebos de livros antigos. E sem sebo e xerox uma universidade não funciona. Das bibliotecas universitárias a Florestan Fernandes (biblioteca da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP) deve ser uma das 3 ou 4 mais completas do país. E mesmo contando com determinada obra, o número de volumes é insuficiente.
Um exemplo prático: O livro "O demônio da teoria" ficou por anos esgotado (foi reeditado no ano passado – e eu comprei o meu exemplar!) e possuía 3 exemplares na Florestan. Emprestei o livro, escaneei e hoje milhares de outros estudantes tiveram acesso a um texto fundamental para o estudo da teoria literária. A revisão da lei é uma necessidade de nossos tempos. Acreditava muito em avanços durante a gestão Gil/Juca no MEC. Mas o retrocesso defendido por este ministério novo é assustador.
Sem uma revisão da Lei de Direito Autoral que tente equilibrar estas duas demandas teremos mais problemas como este. As editoras de livros preferem seguir o estúpido caminho das gravadoras. E, se não acordarem logo, terão o mesmo destino.
Como possível futuro autor de obras acadêmicas, você consideraria normal que seus livros fossem distribuídos de graça?
Claro! Ainda mais se eu estiver vinculado a alguma universidade pública. A questão não deve ser essa. É óbvio que o autor deve ter remuneração por sua produção. Mas não podemos aceitar como normal que o critério para acesso a um texto (que é produto de sua época e dialoga com toda uma tradição intelectual – seja de domínio público ou não) seja o econômico. Um estudante sem dinheiro para pagar R$ 100 numa obra deve ser desprezado? Acredito que o direito ao acesso e a difusão do conhecimento se sobreponha ao do autor de receber dinheiro por sua obra.
Outro exemplo prático: quando ingressamos na Letras-USP usamos em elementos de linguística o livro "Introdução à linguística" (volumes I e II) editado pela Contexto. O livro é organizado por um professor da USP e os autores dos capítulos são também professores da casa, todos contratados em regime de dedicação exclusiva, além de contar com verba da órgãos públicos (Capes, CNPq, fapesp) de fomento. É justo que este profissional exija de 850 ingressantes (isso só na USP, o livro é usado em outras Instituições de Ensino Superior também) a compra dos dois volumes? E, principalmente, quem recebe este dinheiro? Porque os autores (são mais de dez por livro) recebem centavos de cada edição vendida por quase R$ 40 nas livrarias. Outra situação comum (desculpe se me concentro muito na USP, mas é de onde sou e de onde vejo tudo): livro escrito por pesquisador da USP, editado pela EDUSP ou pela Humanitas (editora da FFLCH) e sem exemplar nas bibliotecas da USP. Se não há cópia nas bibliotecas, por qual motivo não devemos copiá-los?
Por último, duas considerações. A primeira pessoal: Sem a contribuição de centenas de outras pessoas – sejam estudantes universitários ou não – o blog jamais existiria. Sou apenas quem procura na net, organiza os arquivos e escaneia dois ou três livros por mês. E, ao contrário do que acreditam editores como este da Sulina, sou do tipo que não possui e-reader, só usa xerox quando não tem jeito e ainda gasta meio salário mínimo por mês em livros físicos. O livro pirata não tira público do livro "oficial". Não acho que a cópia pirata seja a responsável pelo número cada vez menor nas tiragens das editoras. Acredito no que disse o Gaiman quando veio pra Flip: "O inimigo não é a ideia de que as pessoas estão lendo livros de graça ou lendo na internet de graça. Da minha perspectiva o inimigo é as pessoas não lerem."
A outra é de apoio político. Desde intelectuais do porte de Eduardo Viveiros de Castro e Idelber Avelar a novos pensadores e escritores como Eduardo Sterzi, Veronica Stigger e outros tantos (muitos deles seguidores do perfil do blog no Twitter) apoiam o blog. Todos os que citei aqui possuem obras no blog e deixaram de ganhar (segundo o cego argumento de alguns editores do país) algumas dezenas, talvez centenas, de reais. E não ficam bravos com isto. Pelo contrário, como certa vez tuitou o professor Avelar: "Piratearam meu 1º livro! Tá na net pra baixar. E eu, como autor, gosto disso: http://bit.ly/ikvMaR#PegaECAD"

Grécia e a agonia do destrono da dignidade de todo um país

Grécia - Chamado urgente à solidariedade internacional!


Companheiros e companheiras, o objetivo desta mensagem é informá-los/las brevemente sobre o que aconteceu durante os últimos dias em nosso país e fazer um chamado para a solidariedade internacional dos anarquistas de todo o mundo.
A Grécia está em um ponto de inflexão e ocorrem mudanças críticas na sociedade, como na política e na economia. A desarticulação e dissolução, até o presente momento, do modelo de autoridade e de exploração é mais do que evidente e torna concreto o que é geralmente chamado de "crise". O que nós estamos vivendo em definitivo é o fracasso absoluto de um sistema que, não podendo fazer mais nada para garantir o consenso social, se lança em um ataque frontal, sem condições e sem desculpas de qualquer tipo.
Quando começou a conjuntura que se chamou de "crise", a agressão foi manifestada em termos materiais - com a desvalorização do trabalho, redução dos salários, flexibilização das condições de trabalho, a institucionalização da instabilidade, o aumento dos preços dos artigos de primeira necessidade e as contas de bens de interesse comum, o aumento dos impostos e a redução dos serviços de bem-estar. Ao mesmo tempo, começou a liquidação a "particulares? da riqueza pública, a presença generalizada da polícia nas ruas, leilões, o aumento do desemprego...
Paralelamente, se articulou um ataque de propaganda sem precedentes, em um ritmo frenético de publicação, com os meios de comunicação controlados pelo Estado e pelo Capital, cenários de desastre e calendários com datas "apocalípticas", como "...se não for aprovada a próxima injeção de empréstimo pela troika [Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE)], estamos falidos...". Com todo este mecanismo de comunicação da autoridade, consegue embaçar a visão continuamente, mantendo um estado de terror permanente, e assegurar definitivamente a paralisia, por meio da coerção, do corpo social.
LEIA MAIS Links: Indymedia Atenas | Occupied London | ContraInfo
Fotos: 01 | 02 | 03 | Fotos de racistas atacando imigrantes
Vídeos: Vídeos da polícia atacando a manifestação | Vídeo de fascistas e polícia atacando os imigrantes
Apesar de todo o exposto, nunca cessou a resistência dos grupos da sociedade grega e do proletariado. As poucas convocações para greves gerais partem dentro de um contexto definido em maior ou menor medida por pessoas que resistem e expressam sua intenção de lutar contra as condições impostas pelo Estado e Capital.
A manifestação da greve em 11 de maio em Atenas trouxe novamente milhares de manifestantes para as ruas, que expressaram sua oposição às novas medidas anti-sociais do governo, que afogam os trabalhadores e toda a população. Durante a manifestação, e enquanto alguns iam deixando a área do Parlamento para finalizar a marcha, a polícia atacou brutalmente e com raiva os blocos dos manifestantes mais radicais, e os blocos de anarquistas e anti-autoritários, as assembléias de bairro, as corporações operárias de base e a esquerda extra-parlamentar. Golpeando com muita dureza e utilizando grande quantidade de substâncias químicas, diluíram os blocos mencionados. Mais de cem manifestantes foram levados para hospitais e alguns deles submetidos à cirurgia.
O companheiro Giannis é o manifestante que está em pior situação. Tendo recebido um ataque assassino por parte da polícia, e com ferimentos graves na cabeça, foi transferido em situação de quase-morte (de acordo com a declaração dos médicos) para o hospital. Lá, foi vista a verdadeira extensão da hemorragia interna na cabeça, foi operado rapidamente e assim entrou, entubado e em estado grave, na unidade de terapia intensiva. Sua condição é crítica mas estável, mas ainda não superou o perigo de morte ou danos irreversíveis à sua saúde.
Claramente estes ataques assassinos contra os manifestantes grevistas na quarta-feira tinham um único objetivo: assustar as pessoas e os que resistem às agressões da autoridade estatal e econômica. Foi uma ação exemplificadora a fim de subjugar o povo e que parecia ter a seguinte mensagem: mantenham-se em suas casas e permaneçam tranqüilos e disciplinados.
Em seu quadro de ações o poder alista, cada vez de forma mais contínua, seus jovens de extrema-direita e/ou paraestatais. Os focos de violência racista, que estão se multiplicando em todo o país recentemente, tiveram seu pico na última semana. Com a desculpa de assassinato a sangue frio de um morador do centro de Atenas, durante a tentativa de roubá-lo, por imigrantes, se estendeu um massacre sem precedentes contra eles. Grupos fascistas, organizados ou não, de racistas e de ultra-direitistas, encontraram sua oportunidade; estão se concentrando a cada tarde e atacam os imigrantes, ferindo a muitos, e parece que o assassinato de um imigrante se deve aos mesmos. Paralelamente, neonazis juntamente com a polícia atacam okupas do centro de Atenas, levando companheiros a uma situação em que devemos defendê-los contra o perigo de perder a própria vida, contra a brutalidade policial e a barbárie fascista.
A situação critica é clara. No momento em que a sociedade recebe um golpe sem precedentes em termos materiais, seus grupos políticos mais radicalizados e, especialmente, o ambiente anarquista, estão na mira (e desta vez literalmente, a julgar pela mania homicida) da polícia e fascistas.
Por isso, apelamos urgentemente para a solidariedade internacional!
A solidariedade sempre foi um valor fundamental dos anarquistas. Nela que sempre nos baseamos para apoiar nossas lutas e para enfrentarmos a lógica do isolamento e de si mesmo, que impulsiona a autoridade do Estado, assim como o individualismo e da decomposição do coletivo que coloca o capitalismo.
No momento em que a sociedade grega e o proletariado estão sob crescente pressão, com um agravamento das condições de vida não visto até o momento; nestes tempos em que nós anarquistas recebemos um golpe repressivo do tamanho de uma tentativa de assassinato em si; nestes tempos em que o ambiente político anarquista está na mira da violência do Estado e da ameaça do fascismo; temos de ver os nossos companheiros de todo o mundo agir e manterem-se solidários com nossa luta, através de jornadas, manifestações, passeatas, protestos, textos, por palavras e por ações, da forma que considerem mais adequada. Qualquer mostra de solidariedade revolucionária que só os anarquistas conhecem e querem mostrar, levantará a moral e nos fortalecerá em nossas lutas.
Saudações, companheiros e companheiras.
Grupo dos Comunistas Libertários (Atenas)// Jornal Eutopia*
[http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2011/05/491116.shtml]
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Bom, eu gostaria de ressaltar alguns detalhes nesse fantástico artigo e também puxar algumas discussões que achei pertinentes - quem sabe não geram aqui, nesse suposto espaço de debate, algum bom debate.

  • Grécia e o destronamento da dignidade pela "comunidade" européia
Em 2009, durante uma drástica crise econômica que "abalou" o mundo todo,  a Grécia contraiu um dos maiores empréstimos já concedidos pela União Européia, no valor de 110 bilhões de euros. O mundo se recuperou (ou vestiu a máscara da recuperação), mas a Grécia não, porque ficou devendo 110 bilhões de euros. Para pagar a dívida, sérias medidas de austeridade estão sendo tomadas, como arrochos salariais, aumento da carga de trabalho, aumenta da exploração de mão de obra estrangeira, baixos investimentos em saúde, educação (vide, logo abaixo, Grécia e o neoliberalismo). 
Obviamente, tais medidas são um atentado contra a dignidade de qualquer povo, que vendo suas condições de vida serem dilaceradas por governos incompetentes e manipulados, se indignam. O Brasil da década de 90 sofreu os mais sérios arrochos de todo um século graças ao FMI, e, apesar de indigno, não se insurrecionou. A grécia, não, não aguentou calada. E agora arde.
Pagar uma dívida, suicidando-se, ou lutar contra a malversação da DIGNIDADE de um povo? A Grécia fez sua escolha.
  • Capitalismo agoniza, cai a mascara da democracia e do liberalismo, entra em cena a policia 
Quando o povo fica caladinho, a democracia burguesa/capitalista funciona direitinho. Mesmo quando um ou dois gritam, ainda vai tudo bem "Se tem voz, não ganha ouvidos". Mas quando as pessoas vão às ruas protestar contra as

medidas do governo, contra a carestia, contra a intervenção estatal em suas proprias vidas, o papai fica bravo, e cai sua máscara de democracia - saem às ruas a guarda civil, a polícia militar, e até o exército. A idéia não é só calar os que gritam, mas mostrar que aqueles que ficaram em suas casas, caladinhos, estavam certos desde o início - dar-lhes razão. Continuo acreditando que enquanto existir polícia/exército, não é possível existir democracia - muito menos participativa! A Grécia nos dá um bom exemplo do que acontece com quem faz uso de sua língua que não para lamber as bolas do Kapital. Saibamos que, ao menor movimento fora do padrão, o pau descerá sobre nossas cabeças.
  • grupos paramilitares de extrema direita se legitimam pela situação
 


Quando cai a máscara da "suposta" democracia e do Estado de Direito, Law & Order só existe para quem está a favor da Lei e Ordem burguesa - leia-se quem é rico. Pobre, manifestante, subversivo, anarquista, punk, imigrante, toma porrada na cabeça e vai parar no hospital por dois motivos: um por que não sabe ficar calado, e/ou está no lugar errado na hora errada. O homem branco, 40 anos, executivo, (leia-se o mítico "homem de bem") está sempre no lugar certo na hora certa: atrás do policial.
A polícia agradece à extrema-direita e seus jovens paramilitares sem autonomia moral pela "força" que dão ao massacrar imigrantes, minorias, punks e anarquistas, por colocarem fogo nos squats (moradias de punks, feitas em casas abandonadas no meio das cidades), por humilhares homossexuais, baterem em mendigos e principalmente por atirarem nas massas revoltadas em plena luz do dia. 
Atentemos muito bem a esse detalhe, afinal, no Brasil, a extrema-direita (existe direita que não seja extrema?) está muito bem organizada e se articulando ainda mais, com nossos deputados racistas e homofóbicos dando declarações repugnantes para a televisão, senadores "de esquerda" defendendo o mais neoliberal plano de transformação do verde florestal em verde monetário, escondendo escândalos de corrupção e assassínios de direitos e pessoas no Norte e no Nordeste com notícias bombásticas de "reconhecimento da união homoafetiva" - COMO SE OS HOMOAFETIVOS PRECISASSEM DO RECONHECIMENTO DE SEUS SUPOSTOS REPRESENTANTES!!! etc. Quem viu a patética manifestação dos direitinhas no MASP (vide youtube) que entenda direito: aquilo é fermento. 

  • a emergência de um "novo" bode expiatório - o estrangeiro 
Como em toda crise econômica, os governos reacionários fazem questão de deixar claro que o problema do desemprego é ocasionado por um simples indivíduo: o estrangeiro que mora do lado da sua casa. A Grécia, alí no mediterrâneo, recebe contingentes de trabalhadores do Norte da África e mesmo de países europeus vizinhos. Geralmente esses metecos vão para a construção civil ou trabalhos insalubres, igualzinho os chicanos nos EUA, ou os bolivianos em SP... Um dia foram os Judeus, hoje são os palestinos; são os muçulmanos, são os negros, são os sem-pátria, são os pobres, são os doentes, enfim, cada hora põe no "outro" um rótulo diferente - justamente para diferenciá-lo daqueles que realmente importam: nós.

  • violencia e anarquismo - pq a grecia está pegando fogo
Essa é uma foto "antiga", ou melhor, "clássica"
Os acontecimentos na Grécia contam com uma vasta rede de anarquistas, mas nem só de anarquistas vive a revolta grega. Pessoas comuns descomunadas, donas de casa sem casa, trabalhadores em greve de servilismo, partidários, partidistas, homens-partidos, etc, estão indo às ruas, porque essa não é uma luta meramente política, que se dá no campo das assembléias, dos congressos nacionais e todo o picadeiro do tipo, mas uma luta pelo essencial, por aquilo que toca na dignidade, contra a carestia, e contra a ingerência de um governo submisso aos interesses econômicos de outros países-empresa.
Muitos jovens vão às ruas e jogam seus molotovs, botam fogo em caixas-eletrônicos, param metrôs, povoam as madrugadas arquitetando terrorismos - poéticos ou não. Toda essa aparência de barbárie está sendo usada pela mídia para maquiar o verdadeiro terrorismo que está sendo imposto de cima para baixo pelo mais uma vez! maldito governo grego. É sempre assim: quando um manifestante é atingido por um tiro de borracha a queima-roupa é porque não sabe ficar calado, quando um policial é atingido por uma pedra é um coitadinho que só tava cumprindo seu dever... fica a pergunta: Qual é o dever de um ser humano indignado?

A maior parte dos pensadores anarquistas são contrários aos métodos violentos porque na verdade eles acabam causando mais medo do que incentivando ao raciocínio lógico. No entanto, eu penso que contra a violência do Estado existem tanto possibilidades não-agressivas (vide provos, e mais, um ilustre desconhecido chamado Ghandi) quanto agressivas - essas, muito bem acompanhadas de informação, divulgadas pelos mais diversos meios possíveis. Nesse ponto, eu não sei informar como andam a divulgação do anarquismo na Grécia... mas penso que se as pessoas estão indo para a rua apesar da fumaça , alguma coisa está dentro delas, e mesmo que não seja o anarquismo, é certamente tão forte quanto.

  •  Quantas vezes voce ouve a palavra Grécia na midia?
Passei algumas horas pesquisando e perguntando para pessoas que assistem televisão sobre notícias da Grécia. Algumas comentaram que de vez em quando alguém fala que os trabalhadores estão de greve e prejudicando a economia do país, e por isso o país não consegue pagar a dívida para com a União Européia (rede globo de sofistas). Na internet, vários blogs divulgam a todo momento fotos, pedidos, moções de apoio, notícias sobre uma Grécia insurreta. Me parece que mais uma vez a mídia não está do lado de cá da coisa.

  • precarização e neoliberalismo
Tudo perspassa o projeto neoliberal da aldeia global. Grécia: pague o aluguel - diz a União Européia ao primo pobre, como disse a Portugal e Espanha nos anos anteriores. Há outros países como a Croácia querendo entrar pro banquete (digo, o GOVERNO da Croácia, porque o povo, eu não sei) para comer pelo menos as migalhas, para participar da zona de conforto, mesmo que numa situação meio desconfortável de ter de precarizar seu interior para que as mega empresas e conglomerados possam se apossar de tudo, principalmente saúde, educação e a vasta área de Direitos... ok. O Brasil também tá nessa. Mas não tá pegando fogo.

Até quando você vai levando
porrada porrada!
Até quando vai ficar sem fazer nada!?

Esse artigo é uma breve pincelada, apesar de longa. O assunto "Grécia" infelizmente atrai mais pela sua história "antiga" do que pelos acontecimentos atuais. A fumaça que tampa nossa vista até lá não é dos caixas eletrônicos que insistem em pegar fogo todas as noites, mas das famigeradas bombas de gás lacrimogêneo. Pena que já não choramos mais. Acostumamos a apanhar calados.

Engole o choro, moleque.
http://www.vermelhoenegro.co.cc/2010/10/solidariedade-aos-anarquistas-presos-na.html 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Por um mundo organizado pelos trabalhadores

Por um mundo organizado pelos trabalhadores

Por Lucas Morais
19 de maio de 2011

Foram vários os movimentos de gestão direta dos produtores, como pode ser observado na Comuna de Paris de 1871, tentativas de autogestão durante a Guerra Civil Espanhola de 1934-39, casos mais isolados na Rússia revolucionária e em vários momentos, mas sempre eventos muito isolados. Foram lutas que, pela conjuntura histórica na qual estavam inseridas, não tinham condições de obter êxito. Entretanto, todas elas colocaram em primeiro plano a centralidade do trabalho no processo de revolução social. Cada um destes eventos nos brinda com um exemplo de que a classe trabalhadora é o verdadeiro agente social portador da capacidade e possibilidade de construção de uma nova sociedade, de uma sociedade livre, dado que estes produtores podem promover a apropriação dos meios de produção com fins de superação da usurpação de seu trabalho excedente por um agente social parasitário, o capitalista.

Da centralidade da política à centralidade do trabalho

Várias teorias e doutrinas oriundas do marxismo, mas estranhas ao pensamento de Karl Marx, deslocaram a centralidade do trabalho para à política e, mais especificamente, para um agente social conservador, o Estado. Talvez, não à toa a obra de Lênin é chamada O Estado e a Revolução, e não “O Trabalho e a Revolução”. No lugar da centralidade do trabalho e da socialização da produção e apropriação de excedentes (mais-valia) estava a centralidade das nacionalizações das indústrias e terras capitalistas, que, no caso soviético, redunda no controle de uma forte burocracia estatal sobre os meios de produção, aí incluída a força de trabalho, o que termina por não resolver positivamente o quadro da luta de classes, isto é, a luta de interesses entre agentes sociais antagônicos em que o excedente vai para a mão do explorador e o salário para o proletário. O regime pós-revolucionário da União Soviética não superou o quadro da exploração assalariada do trabalho, bem como nenhuma das revoluções ocorridas no século XX o fez, o que não nos permite falar na existência de um suposto “socialismo”, mas sim em regimes pós-revolucionários que, em virtude de uma série de fatores, sucumbiram ao burocratismo e ao terror para se manter. Isto não nega os avanços obtidos, por exemplo, com a industrialização da Rússia e do Leste Europeu, mas também afirma o caráter totalitário e terrorista da maior contrarrevolução da história, conhecida como “estalinismo”.

Comunismo e auto-organização dos trabalhadores

A categoria “comunismo”, utilizada por Karl Marx e Friedrich Engels na defesa de uma ordem social dos trabalhadores livremente associados, está intimamente relacionada com a centralidade do trabalho do ser social humano. Por isso mesmo a ideia de que “a emancipação da classe trabalhadora será obra da própria classe trabalhadora”. O protagonismo e a auto-organização dos trabalhadores em processo de controle direto dos meios de produção é um elemento essencial do processo revolucionário socialista, isto é, a socialização da produção deve ser acompanhada também do controle social sobre os meios de produção, circulação e apropriação, pautado sempre nas necessidades sociais concretas. A autogestão dos trabalhadores, portanto, deve ser direcionada às necessidades sociais em geral, desde as mais básicas (alimentação, moradia, infraestruturas, transporte, etc) às mais sofisticadas (computadores, televisões, etc).

Por outro lado, as concepções teóricas-práticas predominantes no seio do movimento comunista durante todo o século XX, sejam autoproclamadas como leninista, trotskista, estalinista, maoista etc., tiveram em sua quase totalidade como eixo a centralidade do poder estatal para a promoção da revolução social, o que orientou todo o movimento anticapitalista a se constituir tendo em vista a tomada do poder do Estado para promover a “ditadura do proletariado”. Deste modo, a própria categoria “ditadura do proletariado” se desvirtua para uma “ditadura estatal sobre o proletariado e em nome deste”. Ditadura do proletariado nada mais é que a preponderância e imposição dos interesses históricos da classe trabalhadora na sociedade, seja em locais de trabalho ou em comunas. Lembremos que a categoria “ditadura” nos tempos de Marx possuía um significado distinto daquele que adquiriu durante o século XX. Entretanto, esta orientação, estranha ao comunismo revolucionário de Marx, permanece em voga hoje no restolho do movimento comunista internacional.

A centralidade do trabalho recoloca também a centralidade da emancipação dos trabalhadores, emancipação esta que configura-se como emancipação geral da humanidade em relação à cisão e exploração classista. Ou seja, a emancipação da classe trabalhadora é a plataforma geral de qualquer proposta que pretenda a emancipação do gênero humano. Há, também, entre anticomunistas e até mesmo em determinadas tendências do movimento socialista concepções daninhas desta questão, que colocam a “ditadura do proletariado” como a submissão de todas as classes aos trabalhadores e seu mítico “Estado operário”.

Equívocos na orientação revolucionária

Esta orientação rumo ao controle do aparato do Estado deixou de fora as preocupações teóricas acerca do chamado “mundo do trabalho”, isto é, da realidade histórica concreta com que se defronta cotidianamente a classe trabalhadora. Tais questões são espinhosas e extremamente complexas, assim como o é a nossa realidade histórica, pois refletem o fundamento de nossa história e precisam ser sistematicamente trabalhadas, assim como as várias configurações assumidas pelo capitalismo desde o século XIX devem ser profundamente analisadas para compreendermos como se organiza hoje a ordem do capital. Esta orientação equivocada, da qual compartilham desde estalinistas até reformistas (que foram as duas principais linhas políticas dos trabalhadores, dos partidos e lutas sociais no século XX), provocou danos profundos no movimento comunista, dado que os esforços de tais organizações estiveram voltados para a disputa política institucional-parlamentar burguesa (e, portanto, se adaptando às regras institucionais burguesas) ou em estratégias e táticas com fins de tomada do poder político através do Estado. Esta orientação, portanto, distorceu o sentido original da categoria marxista de “revolução socialista”. Sob o estalinismo/marxismo vulgar, “revolução socialista” passou a ser compreendido como governos dos partidos comunistas nacionais, e não como a generalização do controle dos trabalhadores sob democracia direta nas associações proletárias (locais de trabalho, comunas, movimentos, partidos, etc.), a expropriação da burguesia pela própria classe trabalhadora (e não pelo Estado e suas burocracias), mas sim como a expropriação da burguesia em nome da nação ou dos chamados “Estados operários”, que de operários só tinham o nome. Nesta orientação estatista, tanto o estalinismo quanto o reformismo socialdemocrata convergem, embora este último não defenda a expropriação dos capitalistas.

Insuficiência do bolchevismo leninista e adversidades históricas

Lênin, ao projetar um “partido de quadros” tinha em vista a transformação revolucionária de um país de proporções continentais, que padecia com o atraso histórico de suas forças produtivas (produtividade do trabalho), com menos que 8% de operários, concentrados principalmente em Moscou e São Petersburgo, em meio a relações de produção predominantemente camponesas e sob a dominação política de um czarismo imperialista empenhado em mobilizar seu povo para mais uma guerra, a Primeira Guerra Mundial, enquanto este mesmo povo morria pela escassez de alimentos.

Diante de uma conjuntura extremamente negativa e adversa aos revolucionários, com um regime imperialista policialesco, perseguidor, assassino, torturador, para não dizer dos expurgos e aprisionamentos promovidos na Sibéria (Trotsky inclusive ali estivera preso), a ofensiva do movimento revolucionário precisava ser certeira. Para tal sucesso, Lênin, que era um estrategista político de altíssimo nível, coordenou a construção de seu “partido de quadros”, os bolcheviques, desenhado para intervir clandestinamente e publicamente na classe trabalhadora russa para que pudesse direcioná-la à revolução socialista sem alianças nem colaborações de classes com uma burguesia inexpressiva e quase totalmente cooptada pelo regime do Czar. Deste modo, as concepções reformistas/socialdemocratas derivadas de péssimas leituras de Marx, etapistas e evolucionistas/gradualistas, de líderes como Bernstein e Karl Kautsky, nada tinham a oferecer ao contexto histórico russo, o que fica ainda mais em evidência com a bancarrota dos mencheviques e a desilusão popular com o governo de transição de Março de 1917.

Os bolcheviques souberam intervir na luta de classes em momentos decisivos, como o foi quando da palavra de ordem “Pão, Paz e Terra”, que sintetizava os anseios das massas laboriosas russas. Sua intervenção correta foi determinante para a vitória popular que veio em Outubro de 1917, quando finalmente a classe trabalhadora, através de seus sovietes (conselhos de trabalhadores municipais e regionais, que, por sua vez, exerciam a política sob democracia direta, revogação de mandatos e representações, etc) e sob orientação dos bolcheviques, lograram a conquista do poder político e o controle sobre o Estado herdado do regime czarista. A batalha fora ganha, entretanto havia uma guerra civil instalada no país, contando com o apoio de todos os regimes imperialistas do globo, e a causa comunista só poderia sobreviver baseada na internacionalização da revolução social, principalmente para a Alemanha e demais nações europeias, dada a impossibilidade da construção de uma ordem socialista em um só país. Entretanto, aos bolcheviques, antes mesmo de pensar em socialismo, era necessária a superação do caos, da guerra e da fome. Nenhum dos problemas mais sentidos pelo povo russo foi atendido plenamente, muitos deles inclusive pioraram sob o governo bolchevique. Somente com o fim da Primeira Guerra Mundial em 1918 e da Guerra Civil russa (meados de 1920) foi possível inaugurar uma reconstrução nacional sob a base da Nova Economia Política, a NEP, desta vez, com a ausência de Lênin, que adoeceu e ficou afastado da liderança política, assumindo, em seu lugar triunviratos da velha guarda bolchevique, incluindo aí Josef Stálin. Ao fim de sua vida, Lênin (que morrera em 1924) pôde evidenciar os perigos que a revolução russa carregava: ao não lograr se internacionalizar, o partido e o Estado russo eram terrenos férteis para o predomínio de burocracias contrarrevolucionárias, hostis à auto-organização dos trabalhadores e nacionalistas grão russas, corrompidas pelos privilégios econômicos e políticos. O pesadelo de Lênin estava se realizando diante de si, e ele não possuía forças vitais nem políticas para reverter este processo, dado que Stálin à frente da secretaria geral do partido bolchevique, então Partido Comunista Russo (bolchevique), não permitira nem mesmo que o partido tivesse conhecimento sobre a existência das últimas correspondências de Lênin, em que denunciava o burocratismo, o nacionalismo grão russo e exigia a retirada imediata de Stálin de qualquer quadro do partido. Era tarde. Rosa Luxemburgo, destacada revolucionária alemã, muito antes havia criticado a concepção leninista do partido bolchevique, alertando para as trágicas consequências que poderiam ocorrer em função da ausência de controle das bases sobre a direção política. A estrutura partidária leninista centralizava todo o poder político em um grupo muito restrito e pouco representativo, mesmo sendo eleito dentro do partido. A criação de facções também fora banida do partido durante a política chamada de comunismo de guerra, executada durante a guerra civil russa, abrindo caminho para a monoliticidade burocrática.

A necessidade de novas estruturas organizativas

A preocupação de Rosa Luxemburgo não era injustificada. A estrutura organizativa bolchevique foi planejada para uma conjuntura histórica específica, singular. A tentativa de generalização deste método de organização é tão falha quanto a tentativa de generalização de movimentos guerrilheiros. Além disso, há uma questão importante acerca da hierarquia que não tem sido debatida. O fluxo de informações em estruturas de hierarquias muito centralizadas permanece sob conhecimento, isto é, poder, de um grupo muito restrito que acaba por tomar decisões que afetam todo o movimento ali supostamente representado e em nome deste mesmo movimento, o que significa dizer que, após a delegação de poderes sem controles de revogação e transparência informativa, os indivíduos e grupos que delegaram poder deixam-no escapar de seu comando. Em outras palavras, podemos dizer que esta representação na verdade cria um estranhamento profundo entre a base do movimento e sua direção. Também significa que, se a base de um movimento delega a apenas alguns de seus componentes o poder de direcionar todo o movimento, então ele:

a) cria condições e possibilidades concretas para a criação consciente ou não de uma burocracia com interesses distintos, por vezes disparatados, da base que a elegeu;

b) dá a um determinado grupo de pessoas o poder de manipular informações de acordo com a conveniência deste mesmo grupo, o que acontece em qualquer burocracia;

c) cria condições para que um equívoco ou uma traição política desta burocracia comprometa sua base, o que significa comprometer o movimento em sua totalidade, dado que a base não possui mecanismos para reverter este processo, afora a pressão sob seus líderes, que por vezes é insuficiente para alterar decisões, dado que estas são feitas coletivamente, o que exige um esforço ainda mais complexo para as bases;

d) personifica a política do movimento nos indivíduos que supostamente o representam, tornando o embate no interior do movimento não em prol deste ou daquele viés ideológico, mas contra pessoas e grupos.

A estrutura bolchevique era fundamentalmente organizada com base no formato de um comitê central eleito em congressos, com uma média de 25 líderes; seus quadros intermediários, que eram também líderes populares; e uma imensa base, que precisava delegar representantes para supostamente defender seus interesses nos congressos. Vale lembrar ainda que as burocracias possuem origens bem concretas, com a separação entre os agentes decisórios e os agentes que executam as decisões (muitas vezes sem discutir ou questionar as determinações dos seus “superiores”). Logo, qualquer movimento que se estruture sob bases burocráticas muito centralistas estarão fadadas a esta profunda cisão de interesses entre base e direção. O máximo de democracia que este tipo de estrutura organizativa permite são frações que podem entrar em disputa ideológica e política, mas sempre tendo de abrir mão de bandeiras para acomodar interesses de outras frações para se manter no controle do aparato. Esta é uma limitação histórica insuportável nos dias atuais, e é insustentável como se vê na debandada e degeneração dos partidos comunistas, e não deve ser admitida pelo movimento comunista como uma estratégia organizativa viável.

O movimento deve ser a direção e a direção deve ser o movimento

É necessário o próprio movimento se dar direcionamento, isto é, a base ser direção de si mesma, sem a necessidade de delegação de poderes supremos a seus membros. Os burocratas costumam odiar esta ideia porque a auto-organização simplesmente é a afirmação da não necessidade da divisão entre decisão e execução, entre legislação e realização. Ou seja, se o conjunto de um movimento se auto-organiza não há a necessidade de uma direção apartada da base. Isto não elimina a necessidade de líderes, mas desde que estejam sob controle da base, através de revogação e da transmissão de informações diretamente a ela, sem interlocutores indiretos ou burocracias.

Não se educam ativistas recém chegados à luta sem experimentá-los na luta, sem dar-lhes a possibilidade de liderar ações, sem lhes dar a chance ao erro e, muito menos, ao acerto. E sem o erro, não se aprende, e sem aprender, sem o conhecimento, sem a (in)formação correta, não há ação revolucionária. É por isto que organizações fortemente centralizadas minam a capacidade criativa e revolucionária de suas bases, tornando-as mera massa de manobra em prol de interesses que não são os seus próprios, criando assim o ambiente propício para o oportunismo, para traições políticas e a degeneração.

Metaforicamente, estamos em tempos de bombas nucleares e imperialismo hightech enquanto o movimento comunista ainda dispõe de revólveres russos enferrujados de 1917, isto é, de estruturas e métodos conservadores, que, portanto, não dialogam com o atual tempo histórico.

A questão metodológica não é central, mas sim os ganhos cognitivos e históricos efetivos, que permitem saber sempre mais, inclusive formulando estratégias metodológicas cada vez mais conscientes e críticas. Ou seja, não é o modo de conhecer (ou, no caso, um modo de agir) pré-determinado que deve ser buscado, seja em Marx, Trotsky ou Lênin, mas sim obter um conhecimento profundo e abrangente acerca do mundo, para, com base nele, discernir as ações de curto, médio e longo prazo compatíveis com o objetivo da emancipação humana.

Constatando isto, podemos afirmar que mais urgente que construir aparatos partidários é construir um consistente movimento anticapitalista, e este movimento anticapitalista precisa criar estruturas de luta para além do centralismo burocrático. Os anticapitalistas (socialistas, anarquistas, comunistas etc) precisam saber se serão porta-vozes de um passado já distante ou do futuro promissor que só a luta pode construir.

RETIRADO DE DIÁRIO LIBERDADE - Um excelente portal anticapitalista

Link Original: http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=15753:elementos-para-a-reconstrucao-do-anticapitalismo-revolucionario&catid=275:critica-radical&Itemid=21

A barbárie e a estupidez jornalística - por Elaine Tavares

A barbárie e a estupidez jornalística - por Elaine Tavares

A barbárie e a estupidez jornalística
Imaginem vocês se um pequeno operativo do exército cubano entrasse em Miami e atacasse a casa onde vive Posada Carriles, o terrorista responsável pela explosão de várias bombas em hotéis cubanos e pela derrubada de um avião que matou 73 pessoas. Imagine que esse operativo assassinasse o tal terrorista em terras estadunidenses. Que lhes parece que aconteceria?

O mundo inteiro se levantaria em uníssono condenado o ataque. Haveria especialistas em direito internacional alegando que um país não pode adentrar com um grupo de militares em outro país livre, que isso se configura em quebra da soberania, ou ato de guerra. Possivelmente, Cuba seria retaliada e, com certeza, invadida por tropas estadunidenses por ter cometido o crime de invasão. Seria um escândalo internacional e os jornalistas de todo o mundo anunciariam a notícia como um crime bárbaro e sem justificativa.

Mas, como foram os Estados Unidos que entraram no Paquistão, isso parece coisa muito natural. Nenhuma palavra sobre quebra de soberania, sobre invasão ilegal, sobre o absurdo de um assassinato. Pelo que se sabe, até mesmo os mais sanguinários carrascos nazistas foram julgados. Osama não. Foi assassinato e o Prêmio Nobel da Paz inaugurou mais uma novidade: o crime de vingança agora é legal. Pressuposto perigoso demais nestes tempos em que os EUA são a polícia do mundo.

Agora imaginem mais uma coisa insólita. O governo elege um inimigo número um, caça esse inimigo por uma década, faz dele a própria imagem do demônio, evitando dizer, é claro, que foi um demônio criado pelo próprio serviço secreto estadunidense. Aí, um belo dia, seus soldados aguerridos encontram esse homem, com toda a sede de vingança que lhes foi incutida. E esses soldados matam o "demônio". Então, por respeito, eles realizam todos os preceitos da religião do "demônio". Lavam o corpo, enrolam em um lençol branco e o jogam no mar.

Ora, se era Osama o próprio mal encarnado, porque raios os soldados iriam respeitar sua religião? Que história mais sem pé e sem cabeça.

E, tendo encontrado o inimigo mais procurado, nenhuma foto do corpo? Nenhum vestígio? Ah, sim, um exame de DNA, feito pelos agentes da CIA. Bueno, acredite quem quiser.

O mais vexatório nisso tudo é ouvir os jornalistas de todo o mundo repetindo a notícia sem que qualquer prova concreta seja apresentada. Acreditar na declaração de agentes da CIA é coisa muito pueril. Seria ingênuo se não se soubesse da profunda submissão e colonialismo do jornalismo mundial.

Olha, eu sei lá, mas o que vi na televisão chegou às raias do absurdo. Sendo verdade ou mentira o que aconteceu, ambas as coisas são absolutamente impensáveis num mundo em que impera o tal do "estado de direito". Não há mais limites para o império.

Definitivamente são tempos sombrios. E pelo que se vê, voltamos ao tempo do faroeste, só que agora, o céu é o limite. Pelo menos para o império. Darth Vader é fichinha!
Elaine Tavares é jornalista.
Fonte: http://www.correiocidadania.com.br/

[retirado do forte blog www.provosbrasil.blogspot.com]

KRI! - gritas y no pares de gritar!

Há um certo desconforto em se descobrir nesse mundo.


E uso o termo descobrir inclusive no sentido de estar coberto por algo e de repente se dar conta que se está muito quente para se estar coberto. As vezes parece que o frio lá fora é mais recompensador que o calor da ignorância.


Aos poucos vamos dando nossos passos. Caminhando asteristicamente rumo aos nossos próprios eus, reconfigurando o mundo a cada questionamento, a cada observação, em cada atitude.


Nossa luta é diária, pois descobrimos, alojados em nós mesmos, nosso maior inimigo. Lutar contra si é sempre uma experiência dolorosa, pois remete à consciência de que se caminha muito lentamente, e que a vida - então - parece muito curta. Lutar contra a imagem de si é lutar contra o reflexo do mundo que não mais queremos - o mundo-imagem.


Em bando, a viagem parece mais rápida. Discutindo e apontando o mundo, repensamos nossos próprios pensamentos. Quando vemos já estamos mais proximos de si - nos outros.


Esse é o centésimo post neste blog. O KRISIS não existe há muito tempo, ainda engatinha e certamente ainda cairá de queixo muitas vezes. Mas basta um sorriso que ele, com mil pés, torna a levantar - e caminhará muitas noites com baldes de cola nas mãos, com mundos coloridos na cabeça. - Há miles de testas à guisa de out-doors nos esperando.


Agradeço a tod@s que estão - de qualquer forma - incentivando essa criança a andar... e ai de quem tentar pegar ele no colo! 


um Forte Abxxx libertário, sempre
e desejando de peito aberto FORÇ@
+1 de nós.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Eu sei, mas não devia - Marina Colassanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.

E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.

E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.

As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.

Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.

Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.

Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma. 


[obrigado Bia, por tudo]

segunda-feira, 16 de maio de 2011

As 10 transnacionais gigantes e secretas que controlam as matérias primas

As 10 transnacionais "gigantes e secretas" que controlam as matérias primas



Das 11 transnacionais piratas, cinco pertencem aos EUA, três à Suíça (notável paraíso fiscal bancário), duas são suíço-holandesas e uma é de Hong Kong (ligada à Grã-Bretanha). Se as 11 se cotassem na bolsa colocar-se-iam da posição sete até a 156 na classificação da Fortune Global 500. Sem penetrar na genealogia dos seus testa-de-ferro e verdadeiros donos, destaca-se a nefasta sombra do israelo-belga-espanhol Marc Rich em três empresas piratas: Glencore Intl., Trafigura e Phibro.

As 10 transnacionais "gigantes e secretas" que controlam as matérias primas

Atos: O mundo anglo-saxão cacareja vaziamente sobre a transparência e a prestação de contas, enquanto oculta simultaneamente as suas "10 gigantes (sic) transnacionais secretas (¡supersic!)" que "controlam a comercialização dos hidrocarbonetos e das matérias primas", segundo The Daily Telegraph (15/4/11). Como se não nos bastassem as depredadoras transnacionais (BP, Tepco, Schlumberger/Transocean, etc.) que se cotam desapiedadamente na bolsa!


Para além dos tenebrosos grupos da plutocracia (private equity) ? como o grupo texano Carlyle (ligado ao nepotismo dos Bush) e o inimputável Blackstone Group (controlado por Peter G. Petersen e Stephen A. Schwarzman, cujas façanhas remontam ao macabro recebimento dos seguros das Torres Gêmeas do 11/9; ver Bajo a Lupa, 26/9/04 e 3/10/04) ? The Daily Telegraph revela a identidade oculta das "principais 10 transacionadoras globais de petróleo e matérias primas":


1. Vitol Group: sede em Genebra e Roterdã, com resultados de 195 bilhões de dólares na comercialização de hidrocarbonetos; a primeira petrolífera a exportar com pontualidade da região controlada pelos rebeldes na Líbia.


2. Glencore Intl.: sede em Baar (Suíça), com resultados por 145 bilhões de dólares em metais, minerais, produtos agrícolas e de energia; fundada pelo israelo-belga-espanhol Marc Rich; acusada pela CIA (¡supersic!) de subornar governantes; controla 34% da mineradora global suíço-britânica Xstrata; apostou na subida do trigo durante a seca russa (The Financial Times, 24/4/11); o banqueiro Nat Rothschild "recomendou" o seu polêmico novo diretor Simon Murray (The Daily Telegraph, 23/4/11); destaca a
circularidade financeira do binómio Rotshchild-Rich.
3. Cargill: sede em Minneapolis, Minnesota, com resultados de 108 bilhões de dólares em agronegócios, carnes, biocombustíveis, aço e sal; severamente criticada pela desflorestação, contaminação de todo o gênero (incluindo a alimentar) e abusos contra os direitos humanos.

4. Koch Industries: sede em Wichita, Kansas, com resultados por 100 bilhões de dólares em refino e transporte de petróleo, petroquímicos, papel etc.; empresa familiar (a segunda mais importante nos EUA depois da Cargill) manejada pelos irmãos ultraconservadores David e Charles Koch, que financiam o Tea Party.

5. Trafigura: sede em Genebra, com resultados por 79,2 bilhões de dólares em petróleo cru, comercialização de metais; depredadora tóxica na África; provém da separação de várias empresas do israelo-belga-espanhol Marc Rich.

6. Gunvor Intl.: sede em Amesterdã e Genebra, com resultados por 65 bilhões de dólares em petróleo, electricidade e carvão.

7. Archer Daniels Midland Co.: sede em Decatur, Illinois, com resultados por 62 bilhões de dólares em milho, trigo, cacau; listada na Bolsa de Nova Iorque; atuação escandalosa e processada por contaminação reiterada; beneficiou com os subsídios agrícolas do governo dos EUA.

8. Noble Group: sede em Hong Kong, com resultados por 56,7 bilhões de dólares em açúcar brasileiro e carvão australiano; sólidos laços com a HSBC e a polêmica empresa contabilística Pricewaterhouse Coopers; cotada no Índice Strait Times (Singapura).

9. Mercuria Energy Group: sede em Genebra, com resultados de 46 bilhões de dólares em petróleo e gás.
10. Bunge: sede em White Plains, Nova Iorque, com resultados de 45,7 bilhões de dólares em cereais, soja, açúcar, etanol e fertilizantes; multada nos EUA por emissões contaminantes.

The Daily Telegraph adiciona surpreendentemente como "menção especial" a Phibro, hoje subsidiária da Occidental Petroleum Corporation (Oxy): sede em Westport (Connecticut), com 10% dos resultados do banco Citigroup em 2007 em petróleo, gás, metais e cereais, onde iniciou a sua "aprendizagem" o israelo-belga-espanhol Marc Rich.




Das 11 transnacionais piratas, cinco pertencem aos EUA, três à Suíça (notável paraíso fiscal bancário), duas são suíço-holandesas e uma é de Hong Kong (ligada à Grã-Bretanha). Se as 11 se cotassem na bolsa colocar-se-iam da posição sete até a 156 na classificação da Fortune Global 500. Sem penetrar na genealogia dos seus testa-de-ferro e verdadeiros donos, destaca-se a nefasta sombra do israelo-belga-espanhol Marc Rich em três empresas piratas: Glencore Intl., Trafigura e Phibro.



O israelo-belga-espanhol Marc Rich merece uma menção honorífica e com uma biografia mafiosa revela quiçá uma das razões do hermetismo das "gigantes" transnacionais que não estão cotadas nas bolsas e que movimentam nocivamente verdadeiras fortunas sem o menor escrutínio governamental ou cidadão. Será mera causalidade que Rich apareça em três das "secretas" 11 empresas "gigantes" que especulam na penumbra com os preços dos alimentos, hidrocarbonetos e metais?
Marc Rich, perseguido por evasão fiscal nos EUA (logo perdoado controversamente por Clinton), foi denunciado como "espião da Mossad israelita" (Niles Latham, New York Post, 5/2/01) e "lavador de dinheiro" das máfias (The Washington Times, 21/6/02).

O investigador William Engdahl expôs há 15 anos "a rede financeira secreta (¡supersic!)" por trás dos banqueiros escravagistas Rothschild, o megaespeculador "filantropo" George Soros e o mafioso Marc Rich. Cada vez se afirma mais o papel determinante de Israel na lavagem de dinheiro global (ver Bajo a Lupa, 20/4/11).
Conclusão: Como pode uma transnacional "gigante" passar sem ser detectada na época da antiterrorista "segurança interna"? Será possível que no século 21 ainda existam empresas "secretas" e/ou piratas, o que entendemos significar que se dão ao luxo de não se cotar nas bolsas, mas que gozam de todas as benesses do "livre mercado" desde a comercialização, passando pela titularização até ao branqueamento criminal?
São "gigantes secretos" e/ou "clandestinos" tolerados pelo sistema anglo-saxão e seus mafiosos paraísos fiscais? Pode manter-se "secreta" aatividade pirata e criminalmente branqueadora das clandestinas transnacionais "gigantes" que controlam os alimentos e a energia, usados como "armas de destruição maciça" contra a maioria do gênero humano?
Publicado no La Jornada. Tradução de Paula Sequeiros para o Esquerda.net. Foto por http://www.flickr.com/photos/eaghra/.
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