Eu estava fuçando nos meus favoritos hoje e (re)encontrei o site de História da Biblioteca Nacional (http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/) e comecei a dar uma olhadinha. Lá embaixo achei uma manchete em que li que se pode “caminhar” por museus famosos. Interessada fui lá eu conferir... Entrei no site e fiquei maravilhada. É isso mesmo, é possível ter a impressão de estar dentro do museu, você pode “andar” pelo museu e clicando ao lado da obra, numa setinha branca e preta, dá até pata ampliar bastante a obra percebendo até a textura e rachaduras! Achei o máximo e recomendo a todos, principalmente aqueles que apreciam arte. Fica aí a dica. Aproveitem. Bom passeio ;). http://www.googleartproject.com/
O Centro de Mídia Independente se caracteriza por ser uma " rede de produtores e produtoras independentes de mídia que busca oferecer ao público informação alternativa e crítica de qualidade que contribua para a construção de uma sociedade livre, igualitária e que respeite o meio ambiente" - palavras retiradas do próprio site.
Há 10 anos atrás, fruto de uma cobertura jornalística alternativa aos protestos ocorridos em Seatlle, em 1999, contra o encontro da OMC,o site de mídia independente foi criado para publicações livres, no qual diferentes órgãos de imprensa alternativa publicariam relatos, entrevistas, análises e imagens em copyleft, promovendo o intercâmbio de informações e a cooperação mútua. Tal foi seu sucesso que, hoje, os CMIs se fazem presentes em vários países, inclusive no Brasil.
O CMI, dessa forma, vem sendo um importante instrumento de informação e uma alternativa aos meios de comunicação de massa.
Contudo, há algum tempo atrás, o site vem sofrendo CENSURA. Sim, o CMI vem sendo censurado e para entender o porquê, colarei aqui o post de um colaborador do "blog Trezentos" relatando sua experiência ao não conseguir acessar o site:
A Claro, o CMI, a justiça e eu
"Há alguns meses o pessoal do Centro de Mídia Independente (CMI) começou a receber relatos de usuários que não conseguiam acessar seu site. Os administradores de sistema do CMI tentaram localizar algum problema na infraestrutura do site mas não parecia haver nada de errado. Não demorou muito para identificar um padrão nos usuários que reclamavam: eles eram usuários da NET e da Claro 3G.
Muitos usuários ligaram e reclamaram, é claro, mas tanto NET quanto Claro negavam qualquer tipo de bloqueio e diziam aos usuários que o problema era com o site do CMI. Depois de muita insistência e de uma notificação extra-judicial enviada pelos advogados do CMI à Claro ficamos sabendo do real motivo.
Trata-se de um processo movido pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho contra a Associação dos Rodoviários Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Belo Horizonte. Você deve estar se perguntando onde entram CMI, NET e Claro nisso né? Aparentemente o juiz decidiu que uma matéria publicada no CMI tinha que ser retirada do ar e que quem devia fazê-lo eram as empresas de comunicação! O CMI não chegou sequer a ser comunicado dessa decisão.
Olhando por esse lado Claro e NET são vítimas da estupidez da Justiça brasileira, é verdade. Mais uma decisão vergonhosa – bloquear um site para todos os brasileiros por causa de um artigo/vídeo (como já foi feito anteriormente) já seria ridículo, mas bloquear para usuários de algumas operadoras é a coisa mais absurda que eu já ouvi falar. Mesmo levando isso em consideração eu troquei de operadora de celular (eu usava Claro, mas não NET) e vou explicar as razões: em primeiro lugar não há nenhum sinal de que as operadoras tenham recorrido dessa decisão para guardar seus interesses e os de seus clientes. Em segundo lugar elas estão fazendo um péssimo trabalho de informar os clientes corretamente a respeito do problema.
Quando eu liguei na ouvidoria da Claro para registrar a razão da minha saída da operadora a atendente que conversou comigo me pediu o endereço do site e tentou acessar, juntamente com seu chefe e me disse: “Aqui não funciona esse site; tem certeza de que o endereço está certo? O site deve estar caído.” Ao que eu revidei: “É óbvio que vocês não vão conseguir acessar. Vocês estão dentro da rede da Claro, que bloqueou o acesso ao site, como eu já disse. Se vocês tentarem de algumas outras operadoras vocês vão conseguir.”. Depois de muito custo e só porque eu já tinha avisado que ia cancelar o serviço a atendente chegou na informação correta: o processo judicial que obriga a Claro a bloquear o site inteiro se precisar.
Eu expliquei que esse comportamento não é aceitável pra mim, que a Claro devia ter pelo menos feito um trabalho muito melhor de informar os clientes do problema real (redirecionando o endereço para uma página com as informações, por exemplo), já que até para os funcionários da Claro, como eles puderam ver, o que parecia era que o site estava fora do ar – o que não era verdade. Todos os relatos que eu vi de contato tanto com a NET quanto com a claro tiveram esse mesmo desenlace, com muitos deles não chegando à informação verdadeira.
Hoje eu consigo acessar o CMI de todas as minha conexões com a Internet de novo e recomendo a quem não estiver ainda conseguindo a trocar de operadora/serviço de Internet. É fácil com a portabilidade e serve como protesto contra essa estupidez. Não deixe de registrar na ouvidoria o motivo!"
retirado do Blog: http://www.trezentos.blog.br/
Para aqueles que não conseguirem acessar o site, a melhor forma de "furar" o bloqueio é acessar diretamente o servidor de produção que usa o subdomínio: prod.midiaindependente.org.
Repassemos a informação pessoal, pois muita gente deve estar com dificuldades em acessar o site.
Não vamos compactuar com esta censura.
"No futebol, o Brasil ficou entre os 8 melhores do mundo e todos estão tristes.
Na educação é o 85º e ninguém reclama..."
"EU APOIO ESTA TROCA
TROQUE 01 PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES
O salário de 344 professores que ensinam = ao de 1 parlamentar que rouba
Essa é uma campanha que vale a pena!
Repasso com solidária revolta!
Prezado amigo!
Sou professor de Física, de ensino médio de uma escola pública em uma cidade do interior da Bahia e gostaria de expor a você o meu salário bruto mensal: R$650,00
Eu fico com vergonha até de dizer, mas meu salário é R$650,00. Isso mesmo! E olha que eu ganho mais que outros colegas de profissão que não possuem um curso superior como eu e recebem minguados R$440,00. Será que alguém acha que, com um salário assim, a rede de ensino poderá contar com professores competentes e dispostos a ensinar? Não querendo generalizar, pois ainda existem bons professores lecionando, atualmente a regra é essa: O professor faz de conta que dá aula, o aluno faz de conta que aprende, o Governo faz de conta que paga e a escola aprova o aluno mal preparado. Incrível, mas é a pura verdade! Sinceramente, eu leciono porque sou um idealista e atualmente vejo a profissão como um trabalho social. Mas nessa semana, o soco que tomei na boca do estomago do meu idealismo foi duro!
Descobri que um parlamentar brasileiro custa para o país R$10,2 milhões por ano... São os parlamentares mais caros do mundo. O minuto trabalhado aqui custa ao contribuinte R$11.545.
Na Itália, são gastos com parlamentares R$3,9 milhões, na França, pouco mais de R$2,8 milhões, na Espanha, cada parlamentar custa por ano R$850 mil e na vizinha Argentina R$1,3 milhões.
Trocando em miúdos, um parlamentar custa ao país, por baixo, 688 professores com curso superior !
Diante dos fatos, gostaria muito, amigo, que você divulgasse minha campanha, na qual o lema será:
'TROQUE UM PARLAMENTAR POR 344 PROFESSORES'.
Repassar esta mensagem é uma obrigação, é sinal de patriotismo, pois a vergonha que atualmente impera em nossa política está desmotivando o nosso povo e arruinando o nosso querido Brasil.
Na página http://eleicoeshoje.wordpress.com/2010/12/16/kit-gay/ , tem um texto escrito por Karla Joyce discutindo o seminário “Escola Sem Homofobia” , ´´realizado na Câmara dos Deputados [e] proposto pelas Comissões de Direitos Humanos e Minorias, Legislação Participativa e Educação e Cultura´´. O intuito do seminário era elucidar a homofobia existente nas escolas públicas brasileiras e desenvolver alternativas pautadas nos Direitos Humanos.
Devido aos pronunciamentos preconceituosos do deputado federal Jair Bolsonaro, do Partido Progressista do Estado do Rio de Janeiro, no dia 30/11/2010, o projeto desenvolvido pelo MEC em parceria com algumas organizações, chamado ´´Kit contra homofobia´´, ficou conhecido como ´´Kit Gay´´. Esse deputado recebeu apoio do Deputado Paes de Lira (PTC – SP) e de grande parte da opinião pública. Não sei dizer se esta parcela da sociedade é influenciada ou é a demanda para programas de televisão como Superpop e o Programa do Ratinho (e tantos outros programas regionais com o mesmo tom massificado, conservador e violento), mas o resultado foi esse tom pejorativo e PRE-conceituoso em relação ao projeto.
´´O projeto Escola sem Homofobia é um braço do programa Brasil sem Homofobia. Um grupo de trabalho foi criado para discutir a questão da homofobia em ambiente escolar. É composto por gestores do MEC (Ministério da Educação) eONG’s como a ABGLT, Ecos – Comunicação em Sexualidade, Pathfinder, Reprolatina, Galé International , entre outras. A primeira ação do grupo foi realizar uma pesquisa nacional para diagnosticar a situação das escolas públicas brasileiras no que diz respeito da homofobia ´´.
Ainda vemos muitos discursos sobre a democracia e a cidadania que não tocam em várias feridas. Os parlamentares não se cansam de usar esses termos quando lhes é conveniente e não se cansam de esquece-los também. Vemos propagandas que dizem ´´Prefeitura de ´Utópolis´, trabalhando por você´´ e fica a constatação ´´é claro que tem que ser pela população, por quem mais seria?´´. Mas é claro que maioria do trabalho do Estado é para manter a si mesmo, não para melhorar a vida da população. E outra pergunta é sobre o ´´você´´. Que ´´você´´ é esse que exclui tantas pessoas tirando-lhes o direito a essa tão sonhada Cidadania?! Além das pessoas que rechaçam aberta e categoricamente o homossexualismo, vemos também comentários como ´´eu não tenho preconceito contra gays...desde que seja longe de mim... não, meu filho não!!! Eu botava para fora de casa... Tudo bem ser gay, mas adotar não, vai fazer a criança virar gay... Fulano é gay, mas é quase normal, você olha e nem percebe...´´.
Esse é ou não, assim como o racismo no Brasil, um preconceito hipócrita de grande parte da população? Um preconceito que se ´´NEGA´´ no discurso direto, mas se manifesta em várias vias difusas, em vários conceitos (muitas vezes tidos como neutros).
Esse é um tema polêmico, que não se esgota por aqui. Seria muito interessante fazer o debate (e o mais importante, um debate que escute os sujeitos em questão), debate que nossos políticos candidatos evitam veementemente, e aparecem de forma insossa nas publicidades como se fossem os representantes de todos. Falam dos mandatos anteriores e falam que vão melhorar muito a educação, o trabalho, a saúde e a habitação, mas não dizem como. E depois, estão lá, nessa atividade considerada irrelevante para tantas pessoas, que é o ato de legislar. Legislar contra o uso de células-tronco, contra o aborto, contra o casamento homossexual, contra a adoção por casais homossexuais...***
PREÂMBULO
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.
*** Não quero impor minha opinião dogmaticamente (sobre aborto, homossexualismo etc), mas ressalto que a Constituição faz isso, por exemplo quando impõe um deus. Ou em outras partes, a defesa desse Estado Democrático e Pluralista, que defende a igualdade e a justiça são letras mortas. ´´Todos são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros´´?!
Não pretendo com isso, afirmar o que é ou não definitivamente ou absolutamente errado, mas o debate não precisa ser feito com argumentos que superam a parca visão do deputado Jair Bolsonaro ou do ´´Programa do Ratinho´´ ou do ´´Superpop´´? E nesse ponto, ´´ESCOLA SEM HOMOFOBIA´´ é um projeto corajoso, que pode não acabar com a homofobia, mas que pelo menos faz com que isso seja discutido nas escolas, com que se pare de fingir que o homossexualidade não existe.
Final de ano, época de vendas natalinas, shoppings, 25 de Março ... Imagina a cena: tuuuuuuuuudo lotado e tuuuuuuuuudo deixado para última hora. Gente para lá e pra cá tipo Vida de inseto - filme . Será que não pode haver uma revolta contra os gafanhotos (Insetos do mundo, uni-vos!!!) ou uma crise em que algumas moléculas de repente, não mais que de repente, decidam sair da trilha, criando uma lacuna que intercepta o fluxo e a comunicação massiva?!
Início de ano, época de trocar os presentes de Natal e os de amigo-oculto/invisível/secreto. E ai, a pessoa vai trocar e acaba levando algo mais caro ou outros ´´presentes´´ (isto pode gerar um ciclo vicioso). Férias, pacotes turísticos... Liquidações de produtos eletro-eletrônicos no começo do ano. Já pode até aproveitar a barraca que usou para acampar nas férias e dormir na porta da loja. Já faz uma fogueira, leva um violão... Fábrica - Legião Urbana
Décimo terceiro!!! Contratações! Comissões!!! Usar isso para pagar IPVA, IPTU, material escolar, uniforme... Momento para ficar feliz porque você ´´bateu suas metas´´, vendeu 300 mil reais por ´´telemarketing ativo´´ por dia e foi o ...
Desculpem. Melhor refazer a frase. ´´Momento glorioso porque você pode estar tendo a GRANDE oportunidade de estar sendo o ASSOCIADO do mês´´. \o/ MARAVILHA!!! Você está se afastando da possibilidade de ser ´´DESLIGADO´´ da empresa. Uhull!!! [ Trabalhador brasileiro -Seu Jorge ] Quanto é que está o salário mínimo mesmo? R$510,00? Mas disseram que PODE aumentar em Janeiro. Para quanto? R$540,00? R$600,00? [ Despedi o meu patrão - Zeca Baleiro ] Vamos imaginar se um casal com três filhos agora pode ir ao teatro no fim de semana... Melhor sair candidato nas próximas eleições. 26.723,13? Ai sim, dá para ir ao cinema 3D com a família, comprar pipoca... dá até para comprar dvds originais e ainda mandar os moleques estudarem inglês no exterior. [ aumento de salário -notícia 1aumento de salário - notícia 2 ]
Falando em Metrô...
´´Metropia´´ do diretor Tarik Saleh. Muito interessante.
MAS nesse trailer mesmo, antes de começarem as cenas do filme aparece ´´Tribeca Film in partnership with A. E.´´??? Qual o interesse em mostrar ´´A. E. Founding Partner´´? Não era para ser um filme crítico? E essa frase ´´in a time where private business has unlimited power... where every aspect of your life is being controled...´´ ?
Deixar isso em inglês assim vai ser uma prova de estrangeirismo, etnocentrismo, preguicismo... [ Samba do Approach - Zeca Pagodinho ] Tentar traducir (e falhar) vai ser uma prova contra o sistema de ensino brasileiro (que desculpinha heim?!). ´´Numa época em que as ´empresas´ têm um poder ilimitado, quando todos os aspectos da sua vida estão sendo são controlados...´´. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
E qual é, geralmente, o resultado de todo esse sistema de ensino? Progressão continuada? Ah acho que agora eu entendi o sentido do ´´Ordem e Progresso´´. Progresso... ´´vai empurrando com a barriga´´ ou ´´tá ruim mas está bão´´, porque o que importa são os números (quando os números dizem o que a gente quer que eles digam) para inglês ver. E sistema dá uma idéia de orgazinado ne?! Crime organizado?Academicamente, o resultado poderia ser: Compreende Razoavelmente, Fala Razoavelmente, Lê Razoavelmente, Escreve Razoavelmente (não bastasse ter que atualizar o orkut, o facebook, o twitter, o sonico hahahah, o myspace, o blog, o linkedin, estudar idiomas pelo livemocha e mexer no msn; você agora tem que se preocupar com essa rede social ´´Currículo Lattes´´. Não é fácil!!! ). Em outras palavras, ´´podia ter um certificado internacional de proficiência num curso de idiomas privado, mas estudei inglês na escola por sete anos e perdi 14 semestres´´. [Meio óbvio isso, mas só para constar, não estou a favor dos cursos particulares, e sim de um ensino melhor nas escolas]
Podia cantar Another brick in the wall - Pink Floyd (triste é que essa já virou clichê na escola, não raro, esvaziada do sentido crítico ou do potencial emancipador/transformador). Dá para falar tanta coisa sobre o processo de inculcação do Bourdieu ou ´´Microfísica do Poder´´ do Foucault (embora ´´vigiar e punir´´ seja o mais famosinho). No ´´Microfísica do Poder´´ ele fala sobre o controle das instituições sobre a mente e o corpo dos indivíduos, discute também os autores Freud, Nietzsche e Marx. Mas essas teorias podem aparecer nas escolas e nas universidades como uma constatação de que somos vigiados, punidos, domesticados para o trabalho (horários, funções...). A própria Escola de Frankfurt estudada como uma constatação da inexorabilidade da sociedade do consumo? A parte dessas teorias que poderia ser aplicada ou encaminhada para uma proposta mais subversiva, não aparece. Uma pessoa pode assistir o ´´Metropia´´, ´´1984´´ e The Corporation - documentário e pensar ´´a gente está ferrado, somos controlados o tempo inteiro´´. E continuar levando a vida. Como se essas teorias acabassem resumidas como um ´´fato social´´ [coercitivo, exterior e geral. Que decoreba!!!].
Quem diria: Bourdieu, Freud, Foucault, George Orwell, Marx, Nietzsche, Pink Floyd, Pós-modernismo, Teoria Crítica, The Corporation ... uma salada servida numa Caixa de Pandora durkheimiana de reprodução da sociedade?!
Num país em que uns 70% da população é de analfabetos funcionais, nesse aspecto o sistema está funcionando direitinho, atingindo suas metas: um não-estranhamento com músicas, filmes, propagandas e nomes de produtos em inglês e uma qualificação mínima para poder vender sua alma. [ Sold my soul to the company store - Eric Burdon ] . Pior é pensar que está difícil até ser contratato para vender sua alma. Ou então, saber que o que você ganha por vender 300 mil é uma foto na parede e uma comissão que nem passa perto dessa quantia. [ Je ne veux pas travailler - Edith Piaf ]
´´Floyd´´ explica!!! Será que explica mesmo? De certo, pior que eu. Fala, escreve, lê (tudo razoavelmente)... e não propõe nada. Melhor colocar a cabeça nos trilhos (do metrô?), pensar em algo mais aplicativo. Menos verbosidade, mais ação. Acompanhar os comentários... Melhor eu já pedir para algum conhecido comentar alguma coisa. hahahha
"Eclético por excelência, o pensamento pós-moderno andou cruzando, em várias posições, Marx com Freud, marxismo e psicanálise, para desmantelar algumas ficções ocidentais. Em 1972, o filósofo Gilles Deleuze e o psicanalista Felix Guattari bagunçaram as idéias contemporâneas com um petardo chamado O Anti-Édipo. O livro metia a noção marxista de produção nos porões do inconsciente freudiano. Este deixava de ser o cenário das imagens e emoções recalcadas para virar máquina desejante, energia produtora de desejos. A idéia de máquina desejante era filha do cruzamento da sociedade capitalista (Marx/ máquina) com o inconsciente individual (Freud! desejo). Sociedade e individuo eram uma coisa só: máquinas desejantes.
Só que, entoava o Anti-Édipo, essas máquinas estavam com suas energias domesticadas, dirigidas para outros fins que não a liberdade e o prazer. No indivíduo: para ser sujeito, ter uma identidade, todo mundo passa pelo complexo de Édipo (o desejo de matar o pai e trepar com a mãe). Se a criança supera essa fase, entre os 3 e 4 anos, a educação terá sucesso em programar sua identidade: o sujeito será cidadão normal, consumidor, trepará bonitinho (pênis in vagina) com sua mulher, obedecerá os horários, etc. (Se não supera, se rejeita a programação social, a criança fica esquizofrênica). Na sociedade capitalista: dinheiro, luz elétrica, transportes, mercadorias, trabalho humano, lazer, são energias dominadas pela programação racional da produção e destinadas ao lucro. Nos dois casos há repressão, as máquinas desejantes estão com sua produção desvirtuada, sem gozo pleno. Para derrotar o sistema, e liberar o desejo em sua plenitude, a duplinha Deleuze-Guattari só vê uma saída: promover o Anti-Édipo, o esquizofrênico, a pura máquina desejante que o Complexo de Édipo, isto é, a família não programou.
Desprogramado, o esquizofrênico usa suas energias como lhe dá na telha. Não come ou come quando quer, não caga ou caga onde está, não respeita horários nem patrões, goza com todas as saliências e buracos. Mas atenção: conforme disse Guattari numa entrevista, ele não é o psicótico que está fora da realidade. Liberado em seu desejo, deixando suas energias fluírem e se conectarem com outras máquinas desejantes como mais lhe agradar, o esquizofrênico é o modelo para o revolucionário de nossos dias. Ele desmonta ponto por ponto a programação capitalista na fábrica, na família, nos serviços, no sexo, ao liberar os fluxos de energia que, correndo livremente, acoplarão e desacoplarão boca e pênis, ânus e seio, tal as máquinas.
Isso, claro, é uma utopia às avessas. Mas Deleuze e Guattari sabem que Estados, países, burocracias, empresas, partidos, sindicatos, escolas, são máquinas enormes onde as energias seguem programações repressivas e assim a única liberação possível é pela Revolução Molecular: fragmentar o Sistema, desconstruir os grandes organismos na aula, em casa, no hospício, no banco, no trânsito, na praça, até reduzi-lo às suas menores moléculas. A Revolução não virá mais da massa reunida no Partido ou no Sindicato, grandes totalidades. Ela se fará por despedaçamento, anarquia, evitando-se as unidades maiores, as normas, os centros de comando. Dai que a Revolução Molecular se bate pelo feminismo, a droga, a antieducação, a antipsiquiatria, o trabalho improdutivo. Ela não berra: “Proletários de todo o mundo, uni-vos.” Mas faz correr de boca em boca: “Morte ao Todo, viva a Partícula”.
Lyotard
Outra fusão Marx com Freud foi tentada pelo filósofo francês Jean François Lyotard. Ele criou uma economia libidinal (libido é a energia sexual freudiana) que também visa à liberação do desejo na micropolítica do cotidiano (na cama, no hospital, no supermercado), onde quer que pinte repressão. A contribuição mais importante de Lyotard, no entanto, está no livro A Condição Pós-moderna (1979). Ali ele expõe como a tecnociência, hoje coração integrado das sociedades pós-industriais e da pós-modernidade, não procura mais, como a Ciência moderna, a Verdade. Concentrada em áreas ligadas à linguagem — comunicação, cibernética, informática, telemática — ela busca a performance, o melhor resultado.
Nestes ramos, associada ao poder econômico e político, a tecnociência não visa mais a conhecer o real, espelhando-o em números e leis, mas tende antes a acelerar informações para a indústria e os serviços produzirem novas realidades a um ritmo mais rápido e a um custo mais baixo. A tecnociência tornou-se performativa (performance = desempenho, resultado). As sucessivas gerações de computadores, com capacidade lógica e de processamento sempre maiores, não descobrem novas verdades, mas ampliam a performatividade.
Qando a imagem é a vida melhor.
Foi assim que, após semanas processando dados, um computador permitiu ao ciclista Francesco Moser quebrar seu próprio recorde mundial, ao percorrer 51,151 km em uma hora. Técnicos em medicina, biologia, informática coletaram dados e prepararam o evento. O computador combinou as medidas coletadas até estabelecer os momentos mais favoráveis à aceleração e ao descanso, otimizando a performance do corredor. A máquina calculou melhor que o homem os momentos ideais para decisões humanas. Mas como disse uma vendedora de vibradores no Macy’s em Nova York: “Se funciona aleluia”.
Mais para cabaré do que para capela, a cena filosófica pós-moderna tem no palco a tecnociência em contradança com o niilismo. Lyotard, e outros, que desejam acelerar o niilismo, a decadência, se bate por uma ciência pós-moderna, não performativa, mas permissiva, uma ciência do instável, do contraditório, do paradoxal (tudo isso é anti-ocidental), tal como surge na teoria das catástrofes de René Thon ou na da comunicação paradoxal de Watzlawick, que permite entender melhor os esquizofrênicos. Dessa idéia estão perto Feyerabend, um cientista que avacalha a ciência em favor da liberdade humana, e o físico russo, exilado na Bélgica, Ilya Prigogine, para quem a desordem não é o caos, mas parteira de estruturas racionais e práticas (certos insetos constroem belíssimas arquiteturas juntando materiais ao acaso).
Outros querem deter a avalanche niilista. O americano Daniel Bell, sociólogo mais para a direita, só vê a saída num retorno à religião. Já Jurgen Habbermas, filósofo alemão herdeiro atual da famosa Escola de Frankfurt,e portanto um esquerdista, pensa que a saída, na era da informação, está na comunicação autêntica, recrutando em Marx e Freud armas para combater os efeitos maléficos da comunicação de massa, diluidora, anti-humana. Outros ainda, como Gilles Lipovetsky, autor do livro L’Ére du Vide (A Era do Vazio), acham o niilismo um barato, pois libera o indivíduo das velharias e alimenta seu desejo de personalização e responsabilidade por si mesmo, num mundo sem Deus nem o Diabo."
FERREIRA, Jair. O que é pós-modernismo? Coleção Primeiros Passos. SP: Editora Brasiliense, 1986. Pp 84-86. Grifos nossos.
Para complementar e entender um pouco melhor, dê uma olhada nesses verbetes:
O morro do alemão virou a menina dos olhos da mídia e do Estado. Claro, depois da invasão BOPEana, precedida pelas UPP’s (unidades do poder paralelo?). Quando os jornalistas falam do morro do Alemão, só faltam chorar. A metacomunicação é tocante: “olhem só, gente, o que fizemos! Levamos a demo cracia e a liberdade para os pobres do morro do Alemão, gente que não vai nos dar NADA em troca, fizemos TUDO por pura benevolência...”
Em tempo: o papai Noel foi lá, distribuir quinquilharias (um menino ganhou uma sinuca de 10x10cm e a reportem perguntou se ele tinha gostado: “hu-hum” mas a postura dele indicava um “queria um Playstation”). Sentado no baú do caminhão do exército, sendo ajudado por soldados mau-encarados que lhe repassavam brinquedos aleatoriamente, com a barba “por colar”, a metalinguagem indicava claramente a sub-mensagem. Papai Noel não existe. O que existe é o exército. E a mídia.
Parece bastante pertinente essa relação entre o consumismo e o comodismo. Se para a minha geração (dos que estão entre os 20 e 30 anos) o capEtalismo (hahahhaha) já aparece como inexorável, fico imaginando para essa nova geração fast-food, crescendo com um senso de obsolecêscia planejada muito mais gritante e abusivo. Eles estão fast-fudidos (ou se fast-fudendo) e achando que tudo é uma grande festa. Só não sei se se percebe que nesse tipo de sociedade a pessoa se torna contraditóriamente imprescindivel (realizando o consumo) e descartável. Uma cidadania e uma liberdade que não passam de escolha da marca do produto...
Escolhemos a nossa marca preferida (preferida hoje, porque amanhã pode ser que a outra marca faça uma propaganda melhor ou mude a embalagem), pensando que assim expressamos nossa personalidade/individualidade.
Por que grudar um lambe pode ser crime, enquanto encher uma rua de out-doors, banners, folders (e mais um monte de outros termos em inglês), letreiros de todos os tipos (de poluição visual) são considerados normais?
Podemos ocupar os espaços públicos (seja manifestando opiniões sem usar os meios de comunicação em massa, seja mudando as maneiras como nos relacionamos com o meio). Isso também é uma forma de se contrapor ao consumismo.
Ao invés de shoppings, por que não ir a uma praça? Ao invés de ir ao cinema (que provavelmente é num shopping), por que não uma mostra de filmes gratuita, uma exibição de filmes ao ar livre, um sarau ...?
Ao invés de relações superficiais com as pessoas com quem convivemos, por que não sentar para conversar?
E ai estamos: indo ao mercado de carro (que é a três quadras da nossa casa), com todos os nossos aparelhos portáteis, ouvindo músicas de três minutos que falam sobre ´´amor´´ (porque a gente vai namorar, casar e ter filhos né?!).
Nasce, cresce, reproduz, envelhece e morre.
Todas essas coisas envolvem dinheiro. Do contrato com o hospital, passando pelos presentes de datas comemorativas, até o caixão e o cemitério, tudo tem que ser pago. E as formas de aquisição de renda passam por divisões sociais do trabalho que são tão discrepantes quanto naturalizadas.
Podemos buscar atitudes não-pecuniárias? Dinheiro é um instrumento/ferramenta ou é um sujeito? Nem tudo tem que envolver dinheiro (e querem nos convencer que tem).
Irã suspende morte por apedrejamento após onda de críticas, diz embaixada
O Irã parece ter voltado atrás nesta sexta-feira na decisão de apedrejar até a morte uma mulher de 43 anos condenada por adultério, em um caso que mobilizou a opinião pública internacional. O advogado de Sakineh Mohammadi Ashtiani, no entanto, disse que ela ainda pode ser executada por outro método.
"Segundo a informação das autoridades judiciais competentes no Irã, [a condenada] não será executada por apedrejamento", informou a embaixada do Irã no Reino Unido, em comunicado divulgado na noite de quinta-feira e publicado na íntegra hoje pelo jornal britânico "The Times".
O texto não diz em nenhum momento que a pena de morte foi revogada. O advogado de Ashtiani, Mohammad Mostafavi, disse que sua cliente "continua na prisão" e que não foi informada de nenhuma decisão das autoridades iranianas de suspender a sentença.
"Não diz se a pena foi anulada, se foi trocada por outra, se será solta ou se haverá um novo julgamento", disse o advogado.
O mundo se mobilizou para a libertação da iraniana condenada a morte por apedrejamento no Irã, uma coisa positva, mas, a mobilização ocorreu A) porque a pena de morte é algo escroto; B) porque a pena de morte por apedrejamento é muito cruel, devendo ser substituida por outra C) adultério não é um crime grave.
A) Gostaria muito que o mundo se mobilizasse contra algo tão tenso como a pena de morte, mas infelizmente, dos países envolvidos nas críticas à condenação da Iraniana, muitos deles, como (alguns Estados d) os EUA, praticam este absurdo.
B) A morte por apedrejamento realmente é um tanto quanto cruel, e deve causar horríveis minutos finais de vida. No entanto, o resultado final é a morte. Se a luta desses países e grupos for apenas pela suavização da causa mortis não consigo entender o que se passa na cabeça de tanta gente para se mobilizar durante meses por um resultado final de alguns minutos. A mulher terminará morta de qualquer maneira (ao que tudo indica).
C) Agora, se toda essa pressão internacional for pela "ocidentalização" do Irã, para que esse, como nós, passem a considerar o adultério como uma coisa corriqueira, aí sim, a palhaçada chegaria ao extremo.
A traição, em todos os sentidos, é o pior crime que um ser vivo pode submeter outro. Seja ela a traição entre parentes, amigos ou cônjuges.
Ao pararmos para analizar friamente o que é a traição, percebemos que ela não poderia ser cometida por nenhum outro animal, apenas pelo mais escroto entre eles, o homem.
Julio César, no momento de sua morte, não se surpreende pelo fato de estar sendo assassinado, a dor da traição lhe é mais forte que a dor de sua morte iminente.
"Até tu Brutus?"
E como este, podemos buscar outros "n" exemplos.
Muitas espécies de mamiferos, como cachorros, elefantes, ratos e homens, são seres sociais, preferem a vida em bando. Na vida em bando, os animais de um determinado grupo fechado realizam suas atividades de maneira conjunta e por um bem coletivo, seja essa atividade a caça, a proteção ou a migração. Os animais acabam confrontando outros grupos de mesma espécie, acabam também ocorrendo confrontos pela liderança dos grupos e isso faz parte do código de ética destes animais. Dentro desses grupos, os mais dificeis de se entender são os formados por homens, pois, alguns homens, criam determinados acordos, estabelecem níveis de confiança com outros homens e justamente quando estes outros homens estão mais vulneráveis são enganados pelos primeiros. O que há de errado com nossa espécie? Será que uma porcentagem de nós está fadado ao apodrecimento de algum instinto natural?
O adultério e todos os tipos de traição, na minha humilde opinião, são um sinal de apodrecimento, não moral, mas do instinto. Hoje, não somos obrigados a participar de grupos, não somos obrigados a ser amigos de alguém, não somos obrigados a namorar, noivar ou casar com alguém e não somos nem obrigados a mantermos nossos laços familiares se não quisermos. No entanto, existem pessoas que criam laços de amizades com o fim de "tirar vantagem" a partir da confiança e fragilização do outro; existem pessoas que juram fidelidade (algo desnecessário já que há a possibilidade de relacionamento aberto) e fingem uma relação monogamica quando na verdade ludibriam seu cônjuge; existem pessoas ainda que se mantem unidas à familia para receber divisões na herança.
Essas pessoas ainda podem ser chamadas de animais?
Acredito que não.
Retomando o fio da meada...
Acredito que a pena de morte não deve ser aplicada em nenhum caso e, por isso, sou contra a aplicação desta à iraniana. No entanto, o adultério, como qualquer tipo de traição, é um crime horrível, pois é um crime praticado sempre contra alguém fragilizado, pois, traição só existe quando há quebra de confiança, e quem confia jamais espera ser traído. A traição dói, marca a alma do traido a ferro e é capaz de alterar os valores deste indivíduo. Pena que ela seja tão difundida com as ideologias liberais.
E agora? Junto-me ao movimento pela libertação da iraniana, sabendo que ele na verdade mais se assemelha a alternativa C, coisa que sou definitivamente contra, por ser a causa final a mesma da A?
A Terra Indígena Marãiwatsédé está localizada na Amazônia Legal, entre os municípios de Alto Boa Vista, Bom Jesus do Araguaia e São Félix do Araguaia, em Mato Grosso. No idioma Xavante, Marãiwatsédé significa mato fechado, mata perigosa.
"Mata Fechada?" - não mais... "Mata Perigosa?" - Pra quem? Sabe-se que a intensa criação de gados e produção de soja na Amazônia (para alimentar o gado) são uma constante na Amazônia. A relação entre pecuária, soja e destruição da floresta tem acarretado numa profunda transformação no modo de vida da população nativa, obrigada a sair de seu lugar de origem para ceder lugar ao boi (que também é objeto de exploração nesta história). Expulsos de suas terras por interesse de latifundiários, que fizeram da terra mercadoria, afinal o que importa é lucro, não?
A pecuária toma conta da área e é responsável por 45% do desmatamento e entrega aos supermercados e aos consumidores uma carne muito saborosa. Com sabor de ilegalidade. Com sabor de morte. Fazendeiros conseguem liminar da Justiça garantindo a permanência em terra indígena... enquanto isso o desmatamento vai rolando. Nas poucas áreas que conseguiram recuperar, os xavantes encontram problemas com os fazendeiros, com os famosos grileiros e madeireiros. Isso, por apenas 40 anos... Mas afinal, o que são 40 anos? 40 anos de luta, de persistência contra uma injustiça que é silenciada pela voz da mídia. Silenciada por nós mesmos a cada passadinha no supermercado e levarmos aquela irresistível bisteca que mal sabemos de onde vem...
O que mais falta? Abertura de bancos verdes na Amazônia pra financiamento de ocas?
Lendo o artigo anterior, pensando na parada da exibição dos vídeos durante a época do Natal, o fato de "Jesus sangrar presentes", os comentários do Buriti, da Monique e da ZAZ no post anterior me fizeram voltar a um velho fantasma, o consumismo.
O consumismo é o que alimenta, e é o que mantém a fome. Alimenta o capitalismo, nossa sede de consumo, a ganância de "parecer", de "galgar" - mesmo que sejam crânios de desconhecidos (menos mal pois se fossem próximos, humanos/animais de estimação seria bem difícil!). Mantém a fome de milhares de pessoas, não só aquelas que sofrem da fome "crônica" como os pobres subnutridos, comendo junkie food, enlatados, sódio e açúcar, comida de péssima qualidade, para poder pagar a tv de plasma. Aliás, acostumam-se mesmo depois de pagar, continuam comendo - comida É comida (ou pasto).
Outros meios de vida? Existem, sim. Existem ações contra o consumismo. Mas não conheço nenhuma que não passe por uma mudança moral. Claro, você pode imitar seus amigos e diminuir drasticamente o consumo - mas você não aguentará olhar para um sapato na vitrine, um churrasco entre amigos, ou aquela beleza de carro novo que saiu agora (o mesmo do ano 2000), sucumbirá porque não é você. Só é uma mudança moral quando há autonomia de buscar a resposta. Não é ir "meramente" contra o capitalismo, é ENTENDER o por quê suas ações devem ser pensadas e repensadas.
Suas ações influenciam as pessoas à sua volta. E não falo entre aqueles que são seus amigos, pois muitos daqueles que supostamente não gostam de você podem avaliar sua postura como algo "extra-ordinário". lembro-me de um cara na facul a quem eu me opunha em todas as idéias. No entanto, ele se levantava nas assembléias e dava sua opinião, ao ponto de ser vaiado. Por mais que eu não gostasse das idéias dele, tinha que admitir: coragem de expor suas idéias não é para qualquer um (que não queira). E isso mostra como mesmo pessoas que não gostamos podem nos influenciar, e vice-versa. Ensinamos melhor quando somos a lição.
Quando se toma uma posição, que parte de você, na qual você desceu âncora, é difícil te tirar dali. As pessoas podem ter argumentos fortíssimos, mas os seus sempre serão maiores e melhores, pois respondem às suas necessidades morais.
O que eu quero dizer com tudo isso tudo: nossas ações influenciam as pessoas a nossa volta. Antes delas, influenciam a nossa própria vida e nos faz repensar HÁBITOS. São nossos "hábitos" - ações que executamos sem reflexão da "origem" - que nos identificam enquanto atores sociais. O que fazemos na faculdade? O que discutimos com nosso "melhor" amigo? O que pensamos quando discutimos política com nossos pais? E sobre o consumismo: Para quê estou comprando isso? Por quê um celular novo? Seria saudável para mim consumir tanto refrigerante? Por quê eu preciso beber cerveja quando estou numa festa? Ela me faz "ter coragem"?? Eu realmente preciso de um pedaço de carne em todas as minhas refeições? Esse computador veio de onde? Será que eu não consigo costurar isso? Posso reutilizar essa embalagem! Eu consigo fazer um desse com um tutorial da internet me ensinando! Etc...
Existem várias maneiras de diminuir o consumo pessoal, existem muito motivos também. Vou colocar algumas idéias que talvez sejam conhecidas de vocês, mas que pode servir de exemplos para passarmos adiante.
Boicote: Essa é uma estratégia geralmente individual. O boicote (no caso do consumismo) está
Frase clássica nesse tipo de boicote
associado principalmente a motivações políticas contra a indústria produtora, sua marca e/ou sua origem. Um exemplo é o boicote de produtos da Coca-Cola ou McDonald's por serem símbolos dos EUA (considerado por muitos, como Noam Chomsky, um Império). No entanto, o boicote não é muito efetivo quando isolado, sua força reside na divulgação maciça de "motivos para adesão" e da formação de grandes grupos de não-consumo e de anti-propaganda. Um erro comum é substituir um produto por outro da mesma origem, como as pessoas que "boicotam" a coca-cola por serem contra os EUA, mas consomem Fanta, ou ainda Pepsi. Não é a mesma coisa de quem boicota a coca-cola por acreditar que a coca-cola faça pior uso da propaganda que os outros refrigerantes, nao importa de onde saiam.
Freeganismo: é um estilo de vida considerado extremo pela sociedade, pois vai de encontro à grande maioria dos valores ocidentais como o consumo, a não-reciclagem, o trabalho como valor, contra o dinheiro, etc. Os freegans se propõem à não participar do sistema desprodutivo capitalista: evitam ao máximo o processo de compra e venda por dinheiro. Utilizam da solidariedade de grupos, transformam canteiros, terrenos baldios e praças em hortas livres, fazem mergulhos em lixeiras (tanto no sentido explícito do termo quanto na busca por produtos desperdiçados por redes de varejo), utilizam transporte com mínimo impacto poluente, como bikes, skates, ou caronas coletivas, trocam, e doam coisas, evitam a acumulação de apetrechos desnecessários, usam do Do It Yourself como modo de viver, e principalmente recusam ao máximo qualquer tipo de exploração de seres senscientes, o que certamente recai em veganismo. É drástico, mas causa alto impacto nas pessoas que convivem com esses indivíduos - mas dificilmente afeta pessoas de um círculo médio em diante: a tendência social é tratar essas pessoas como mendigas, apesar de terem optado politicamente por esse meio de vida, através da discordância. Segue um vídeo, mas o som não está muito bom:
Consumo local: Existem pessoas que não consomem nada que seja produzido em lugares que ela não possa visitar e ter controle pessoal (vistoria) da produção. Cada um estipula o limite de distância dos produtos que pode consumir, que em média está em 50km. O objetivo é claro: fortalecer uma economia local, entre pequenos produtores que prezem por qualidade dos produtos. Geralmente acabam construindo uma pequena horta de emergência no fundo do quintal e usando bricolagem/DIY para efetuar as pequenas obras necessárias. Li sobre eles numa revista há um tempo atrás. Era a experiência de um cara que tentava se tornar um desses. Falhou fragorosamente porquê não tinha prática em horticultura, e problemas com uma tempestade foderam atrapalharam seu projeto. Se alguém souber o nome específico desse modus vivendi, avise!
Produção própria: aquele que quer se tornar um pequeno produtor para consumo próprio geralmente percebe, com o desenvolvimento de sua horta pessoal, a abundância que seu esforço promove. E aquele produtor que está justamente tentando ir contra o sistema costuma incentivar vizinhos e amigos a também fazerem hortas para que haja trocas, ou descanso da terra ao longo dos tempos. Há, nesse caso, tendência à economia solidária, que além de transformar o consumo em algo mais consciente através do entendimento do processo produtivo, também reduz o uso do dinheiro na troca por comida "simples" - aquela que não depende de processos industriais para chegar à sua casa. Uma horta caseira dá um pouco de trabalho, é verdade, ainda mais para quem nunca experimentou. Mas o esforço é recompensador - nada como um alface plantado por você mesmo, ou um tomate fresco, colhido na hora! Clique aqui para conhecer um site que ensina a fazer hortas, e dá dicas para a manutenção delas.
Esses são alguns exemplos. Mas constantemente ouço falar de pessoas que recusam participar de "datas comemorativas" onde haja troca de presentes nos quais se gaste dinheiro e não criatividade ou tempo; pessoas que evitam o consumo de energia elétrica ao extremo; gente que colhe água de lavar roupas para lavar o chão; gente que não assiste televisão; gente que não consome nenhum produto que tenha utilizado propaganda televisiva; gente que adapta a economia do dom para o dia a dia...
Enfim. Finalizando esse longo post, penso que podemos influenciar as pessoas sim, com nossas atitudes. Antes delas, estejamos dispostos à nos movimentar, balançar nossas estruturas, nossos hábitos, e abrir mão de certas "facilidades" - que parte das vezes são meras acomodações. Esse é um dos propósitos do KRISIS, implícito no manifesto, o ato de criticar a si mesmo para encontrar aquilo que está presente em todos.
E aí, somos a mudança que queremos para o mundo?
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um vídeo MUITO interessante para entrar na pira. GARANTO que vão ser os 10 minutos mais bem aproveitados deste post...
e aí? louco? - e se todos os que estão aqui fora forem os loucos, os sãos estariam no hospício?
E dia nove rolou passar três curtas na praça. Distribuímos alguns panfletos para chamar as pessoas que lá estavam para que vissem os vídeos, minimamente polêmicos, diga-se de passagem: Ilha das Flores, Causes e Dancem Macacos, Dancem!
Mas nos diga quem, quem irá parar para ver vídeos que criticam aquilo que elas foram (com tanta vontade e planejamento) fazer em pleno mês de NATAL? Foram para consumir e consumir é a palavra de ordem, mesmo que sejam aqueles trambolhos que jamais usarão e sabem disso, mas oras... Custava apenas "um e noventa e nove"! . -"Tão baratinho que eu não resisti, e daí se não vou usar?! Deixa lá naquele cantinho que depois eu jogo fora". Consumir é tão bom, gastar sem precisar. Só não se esqueçam que há custos para isso tudo (e você diz: -“Mas é óbvio que sim”) e eu lhe digo que não se tratam apenas de custos monetários trata-se dos custos das vidas (muitas vezes crianças exploradas e você mal sabe e se sabe...) que trabalham tantas horas para obterem um salário tão miserável que muitas vezes dá só para comer (e olhe lá!). Custos de materiais que, lembrem-se, vêm de algum lugar e esse lugar inicial chama-se NATUREZA. Tudo é extraído dela em forma bruta e volta para ela de modo totalmente alterado. Volta de modo que a corrompe e a destrói. Custo de vistas que de se perdem na busca de tais materiais em sua forma bruta para serem depois “refinados” e vendidos, vidas animais que desaparecem e ninguém nota sofrem e temem como humanos e então esses invadem seus locais naturais para usurpar aquilo que nem é necessário.
Necessidade: palavra distorcida atualmente.
Você, sim VOCÊ “precisa” daquele carrão novo que foi lançado no mercado essa semana. Não tem dinheiro? Oras, empréstimos pra que te quero?! Hum? Talvez para fazer dívidas escabrosas só para dizer aos outros macacos :-“olhem, macacos, eu tenho o carro do ano e vocês não”. Essa falsa necessidade tem consumido a sociedade consumista. Quanto mais se tem mais se quer ter. Saiba: você não será aceito caso não se “vista bem” e não tenha bens de consumo assim tão necessários a sua sobrevivência, tão necessários que antes de eles existirem a humanidade era tão triste e mal funcionava, não é? Não conseguimos mais pensar em viver sem certos “brinquedinhos” como se fossem a extensão de nossos próprios corpos. Sempre dá “pra se virar” com aquilo que se tem não se deixe levar e não se engane, certos objetos são apenas bugigangas que você jamais usará.
Quanto aos vídeos...
Enquanto passávamos os vídeos esperávamos espectadores... poucos tímidos viam e saiam, sem ver, sem ouvir e sem entender. Poucos foram os que se interessaram, e que bom que ainda há quem veja algo além de todo o "óbvio". E para os que não vêem estamos aí, tentando abrir os olhos de todos os alcançáveis.
Pessoal, muitos não conhecem a importância do WIKILEAKS, que neste momento está tendo grande difusão por causa tanto da divulgação de 250.000 documentos secretos que envolvem diretamente governos como o dos EUA, quanto pela prisão do redator-chefe do wikileaks, JULIAN ASSANGE. pois bem.
Pensei em fazer um pequeno artigo sobre tudo isso, mas, encontrei um texto do próprio Assange que explica mto bem a missão do WIKILEAKS, e convido vocês a lerem alguns trechos:
Cresci numa cidade rural de Queensland, onde as pessoas diziam o que lhes ia na alma de forma franca. Desconfiavam dum governo grande, como algo que pode ser corrompido se não for vigiado cuidadosamente. Os dias negros da corrupção no governo de Queensland, antes do inquérito Fitzgerald, são testemunho do que acontece quando os políticos amordaçam os meios de comunicação para não informarem a verdade.
Essas coisas calaram-me fundo. A WikiLeaks foi criada em torno desses valores centrais. A ideia, concebida na Austrália, era usar tecnologias Internet em novas formas de informar a verdade.
A WikiLeaks cunhou um novo tipo do jornalismo: o jornalismo científico. Trabalhamos com outros serviços informativos para trazer as notícias às pessoas, mas também para provar que é verdade. O jornalismo científico permite-nos ler uma história nas notícias, a seguir clicar online para ver o documento original em que é baseada. Dessa forma podemos ajuizar por nós mesmos: a história é verdadeira? O jornalista informou-nos com precisão?
As sociedades democráticas precisam de meios de comunicação fortes e a WikiLeaks é uma parte desses meios. Os meios de comunicação ajudam a que o governo se mantenha honesto. A WikiLeaks revelou algumas verdades difíceis sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão e sobre histórias incompletas da corrupção corporativa. [...]
Sempre que a WikiLeaks publica a verdade sobre abusos cometidos por agências dos Estados Unidos, os políticos australianos entoam um coro provavelmente falso com o Departamento de Estado: “Vai arriscar vidas! Segurança nacional! Vai pôr as tropas em perigo!” Depois dizem que não há nada importante no que a WikiLeaks publica. Não podem ser verdade ambas as coisas. Qual delas é?
Não é nenhuma. A WikiLeaks tem uma história de publicação com quatro anos. Durante esse tempo mudámos governos inteiros, mas nem uma pessoa, que se saiba, foi mal-tratada. Mas os EUA, com a conivência do governo australiano, mataram milhares só nestes últimos meses. [...]
Mas as nossas publicações estão longe de não ser importantes. Os telegramas diplomáticos dos Estados Unidos revelam alguns factos alarmantes:
– Os EUA pediram aos seus diplomatas que roubassem material humano pessoal e informação a funcionários da ONU e a grupos de direitos humanos, incluindo ADN, impressões digitais, exames de íris, números de cartão de crédito, senhas de Internet e fotos de identificação numa violação de tratados internacionais. Os diplomatas australianos da ONU presumivelmente podem ser visados também.
– O rei Abdullah da Arábia Saudita pediu que os representantes dos Estados Unidos na Jordânia e no Bahrain exigissem que o programa nuclear do Irão fosse detido por qualquer meio disponível.
– O inquérito britânico sobre o Iraque foi ajustado para proteger os “interesses dos Estados Unidos”.
– A Suécia é um membro encoberto da NATO e a partilha de informação de espionagem é escondida do parlamento.
– Os EUA estão a jogar duro para conseguir que outros países recebam detidos libertados da Baía Guantánamo. Barack Obama aceitou encontrar-se com o Presidente Esloveno apenas se a Eslovénia recebesse um preso. Ao nosso vizinho do Pacífico Kiribati foram oferecidos milhões de dólares para aceitar detidos.
Na sentença que se tornou um marco sobre o caso dos Documentos do Pentágono, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos disse que “só uma imprensa livre e sem restrições pode expor eficazmente as fraudes do governo”. A tempestade que gira hoje em volta da WikiLeaks reforça a necessidade de defender o direito de todos os meios de comunicação a revelar a verdade.
o texto integral se encontra nesse site, o qual estou colocando nos links relacionados: http://liberdadeparaassange.noblogs.org/ peço que divulguem o máximo possível.
Para aqueles que estiverem em SÃO PAULO, fica a dica: